QUEM É O HOMEM?

Conhecei bem a Imagem Verdadeira do homem: o homem é Espírito, é Vida, é Imortalidade.
Deus é a Fonte Luminosa do homem e o homem é luz emanada de Deus. Não existe fonte luminosa sem luz, nem existe luz sem fonte luminosa. Assim como luz e fonte luminosa são um só corpo, Deus e homem são um só corpo.
Porque Deus é Espírito, o homem também é Espírito. Porque Deus é Amor, o homem também é Amor. Porque Deus é Sabedoria, o homem também é Sabedoria.
O Espírito não é peculiar à matéria, o Amor não é peculiar à matéria, a Sabedoria não é peculiar à matéria.
Portanto, o homem, que é Espírito, que é Amor, que é Sabedoria, nada tem a ver com a matéria.

(Trecho da "Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade", revelada ao Prof. Masaharu Taniguchi).

quinta-feira, julho 31, 2008

A Lei da Mente

A Lei da Mente é mais conhecida hoje como Lei da Atração, principalmente, desde o sucesso editorial de “O Segredo”. Ela pode ser escrita assim: “Concretiza-se na vida o que foi projetado e visualizado na mente”.

Assim, se quero que ocorram eventos positivos, só devo mentalizar e exercer a visualização criativa de situações positivas. Agora, surge a pergunta:

- Então, como se explica que mesmo formulando pensamentos otimistas ocorrem situações negativas opostas àquilo que se pensou conscientemente, até de forma muito clara e objetiva?

Realmente, a ocorrência desses casos de insucesso se deve basicamente ao fato de que o subconsciente retém pensamentos negativistas, por anos de hábitos desatentos e erroneamente acariciados, apesar de o nosso consciente desenhar um cenário de positividade.

Devemos treinar diariamente o evento desejado por um longo período, exercendo a visualização criativa como se tudo já estivesse realizado, até com pormenores. Se os pensamentos otimistas forem cultivados por alguns instantes somente e logo olvidados, sem ter durado o tempo suficiente para esvaziar o lixo mental do subconsciente, não lograremos o almejado êxito. Só assim alcançaremos a unidade com a “Mente Pura” ou “Mente Única” criadora de todas as coisas do Universo!...

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Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

quarta-feira, julho 30, 2008

Reverencie a Vida

Como podemos curar as nossas infelicidades, sejam muito raras ou freqüentes?

A pergunta feita tem muita atualidade. Recentemente, li num jornal aqui de Blumenau que o remédio mais receitado na Policlínica Municipal, comprado com recursos públicos e oferecido aos pacientes que recorrem àquela instituição, é um antidepressivo – fluoxetina (Daforin ou Prozac são os nomes comerciais mais conhecidos).

O fato do consumo de fluoxetina se apresentar sempre crescente, em Blumenau e no mundo, é a maior prova de que os meios materiais podem atenuar, mas não dão a resposta completa para a questão das infelicidades que, muitas vezes, nos assaltam.

Então, onde está a solução?

O nosso bem mais precioso é a vida, por isso, ela deve ser usufruída intensamente e em toda a plenitude. Chegamos a este mundo, ao receber Vida. Eu sou Vida!... Você é Vida!... Portanto, eu e você somos um. A Vida está manifesta em todo o Universo. Eu, você e o Universo somos um. Fazemos parte da Grande Vida que é a origem da nossa Vida.

Não podemos ter uma visão fragmentada da Vida. Eu não sou um pedaço de vida e você não é outro pedaço. Nós fazemos parte da Vida que permeia o Universo, a Grande Vida.

Assim, a cura dos nossos males só será completa se despertar em nós a força da Grande Vida, em total obediência à Lei da Vida. Como posso alcançar esse grande objetivo?

1. Devo reverenciar e respeitar a mim mesmo, com a certeza de que este respeito e reverência pela valiosa Vida em mim é o principal fundamento da minha vida moral, isto é, pode assegurar-me uma vida de que não me envergonhe, pois só assim eu posso fazer da vida humana uma vida divina e avançar crendo sempre no progredir infinito.

2. Devo respeitar e valorizar a personalidade e a valiosa Vida dos meus semelhantes, que comigo comparticipam da Grande Vida, por isso, devo sempre ver as suas partes positivas e nunca as negativas.

3. Devo respeitar e valorizar todos os restantes seres viventes e sentir gratidão por todas as coisas do Universo.

4. Devo reverenciar e honrar a origem da minha Vida que é a Grande Vida, considerando-a “Deus-Pai” ou “Grande Vida” ou “Eterno” ou “Mente Pura”.

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Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

terça-feira, julho 29, 2008

Cada experiência é uma lição

Surrealismo. Apesar das nuvens, a luz está sempre presente.

O título desta reflexão poderia ser ampliado e assumir a seguinte mensagem: cada experiência é uma lição e, cada lição, é somente uma oportunidade de aprendizagem no caminho do progredir infinito.

Você, certamente, já acelerou o carro para tentar ainda passar no sinal amarelo e, ao chegar perto do semáforo, ele muda para vermelho, o que leva à opção pela estratégia que é mais prudente, ou seja, parar. Enquanto espera a volta do sinal verde, poderá optar por uma das duas atitudes:

- “Ih, que chatice! Tenho agora que esperar, quando estou cheio de pressa!”.
- Ou, “Finalmente, paro um pouco durante um dia tão corrido e posso agora apreciar a paisagem, o jeito das pessoas caminharem, etc.”.

A nossa mente é que determina o que fazemos com as dificuldades. Pequenas dificuldades podem transformar-se em grandes aborrecimentos e grandes dificuldades até poderão ser encaradas como simples desafios ao nosso crescimento interior.

É verdade, podemos transformar fatos desagradáveis em algo melhor. Quem promove essa transformação é única e exclusivamente a mente. Por isso, é importante dedicar algum tempo diariamente ao nosso autoconhecimento. Recordar o que vivemos durante o dia e exercitar métodos e ferramentas – meditação, leitura, contemplação, oração, musicoterapia, visualização, etc. – que nos podem ajudar muito a ultrapassar obstáculos com maior serenidade, segurança e senso de felicidade.

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

A força do pensamento

Surrealismo. O pensamento é a fonte luminosa que ilumina o caminho.

"Saiba que seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, não por alguma força que venha de fora. O seu pensamento é a "planta" concebida por um arquiteto para construir um edifício denominado prosperidade. Você deve tornar seu pensamento mais elevado, mais belo e mais próspero”.
(Do livro: A prosperidade em suas mãos – Autor: Yoshishico Iuassaca).

O amor é uma arte



Imerso em meus pensamentos, permaneço sentado à escrivaninha, papel na minha frente e caneta na mão. Os meus sentimentos vão e vêm, entre o reino da certeza e o abismo da dúvida, pois pensar o amor é confrontar-me com realidades diversas do viver humano, em que as melhores intenções, muitas vezes, se convertem em terríveis tragédias ou patéticas farsas. Então, ouço o chamado da Grande Deusa: .
- Servo Amado, o caminho do amor é a verdadeira Senda. É o Caminho por excelência, é a verdadeira resposta ao problema da existência humana, embora riscos e subtilezas se façam presentes.
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- Eu sei minha Deusa, responde o Servo Amado.
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- Escreve somente o que de mim ouviste, sobre o Amor interpretado como uma Arte e nada mais! – retorquiu a Grande Deusa.
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- Combinado, passo a escrever somente o que ouvi, nada mais!
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Meus Amigos e Amigas, o que é o amor? Uma atração? Um sentimento? Uma sensação agradável? Um excitamento? Um tesão?
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Não, o amor é uma arte!... Ele deve ser encarado como as outras artes: a arte de viver, a música, a pintura, a escultura, a marcenaria, a medicina, a engenharia, etc.
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Quase todos dizem que amar é fácil, todavia esquecem que é preciso aprender a amar como se aprende qualquer outra arte. .
Se amar fosse realmente fácil, não haveria tantos casamentos destroçados, tantas amizades episódicas, que começam com expectativas e esperanças tão enormes e fracassam tão subitamente e com tamanha freqüência.
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Aprender o amor é estudar profundamente o conhecimento da sua teoria e exercitar com esforço a sua prática. Depois de se conhecer o amor, é preciso treinar com denodo para se aperfeiçoar na Arte de Amar.
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O amor pode assumir várias formas: amor à humanidade ou ao próximo, amizade, amor fraternal, amor materno, amor conjugal ou erótico, amor próprio e amor a Deus. Porém, existem elementos básicos que são comuns ao pleno êxito de todas as formas de amor, a saber: a doação, o cuidado, a responsabilidade, o respeito e o conhecimento.
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A mais elevada potência da expressão do amor é a doação, ou seja, o ato de dar. Como dizia Spinoza: “Dar é mais alegre do que receber, não por ser uma privação, mas porque, no ato de dar, encontra-se a expressão de minha vitalidade”.
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Quando se leva alguma coisa à vida de outra pessoa, isso que incrementa a vida se reflete de volta no doador. Erich Fromm enfatiza: “No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu”. O amor é uma força que produz amor. Contudo, quando o ato de dar amor não encontra um reflexo, isto é, não retorna ao doador, ele pode produzir infelicidade, como diz Karl Marx: “Se amais sem atrair amor, isto é, se vosso amor é tal que não produz amor, se através de uma expressão de vida como pessoa amante não fazeis de vós mesmos uma pessoa amada, então vosso amor é impotente, é um infortúnio”. É como diz Rumi, grande poeta e místico muçulmano: “Nunca, em verdade, procura o amante sem ser buscado pelo ente amado... Nenhum som de palmas vem de uma só mão sem a outra mão”.
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Portanto, o amor sempre circula numa via de duas mãos, em dois sentidos, simultaneamente, e não numa via de mão única. Ele espera ser correspondido, de alguma forma. Neste aspecto, até o amor de Deus pelo ser humano, individualmente, não é incondicional, porque conforme dizem as escrituras cristãs: “todo o pecado é perdoado ao homem, menos o pecado contra o Espírito Santo”, que é a falta de resposta do indivíduo aos apelos de Deus.
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O amor exige cuidado, que é uma preocupação ativa constante pela vida e crescimento daquilo que amamos. Onde não existe esta preocupação, também, não existe amor. Amor e trabalho andam juntos. É preciso trabalhar por aquilo que se ama, porque só se ama aquilo por que se trabalha.
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A pessoa que ama sente-se responsável pela pessoa amada. Ser “responsável” é estar sempre pronto para “responder” por quem se ama. É preocupar-se com as necessidades psíquicas da pessoa amada. É preocupar-se com a realização dela. Isto é responsabilidade no amor.O quarto elemento básico do amor é o respeito. Respeitar a pessoa amada é ver essa pessoa como ela realmente é, tomar conhecimento de sua individualidade singular e preocupar-se pelo seu desenvolvimento, sem manipulação e sem exploração. “O amor é filho da liberdade, nunca da dominação” – diz Erich Fromm.Como é que eu posso amar o que eu não conheço inteiramente? Por isso, o conhecimento que é necessário ao amor não fica na periferia, mas penetra até o âmago da pessoa amada. Se eu conheço a pessoa que amo, ao vê-la com raiva, não vejo simplesmente que ela está encolerizada ou irritada, mas sinto intuitivamente quanto ela está ansiosa e preocupada, se sente só, culpada, triste, etc. O amor implica uma união que possibilita uma penetração ativa na pessoa amada, como reflexo do intenso desejo de conhecê-la. Na relação amorosa entre duas pessoas, neste ato de cada um penetrar no âmago da outra, cada qual se descobre e se encontra a si próprio. É a descoberta do ser humano por si mesmo.
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Como em qualquer arte, a melhor maneira de aprender a prática do amor é praticando-o. Na prática, a primeira exigência para se tornar qualificado em qualquer arte é a disciplina. Para ser bom na arte de amar, é preciso praticá-la de forma disciplinada, com fidelidade, não só durante oito horas por dia, como numa profissão, mas durante todo o tempo e a vida inteira. A imposição da disciplina deve ser expressão da vontade própria e sentida como agradável. Manter disciplina na arte do amor, durante todo o tempo, exige concentração. Realmente, a concentração é necessária para o domínio de qualquer arte. Ficar concentrado no amor é viver plenamente o presente, em cada instante, sendo capaz de ouvir a pessoa amada, aprender a estar próximo dela e não viver sempre em atitude de fuga, ou seja, com a mente sempre direcionada à coisa seguinte a ser feita. O terceiro fator da prática do amor com sucesso é a paciência. A nossa vida consumista e industrializada incentiva a rapidez, contudo quem quer resultados rápidos nunca aprende uma arte. Assim, para ser bom na arte de amar é preciso paciência e não esperar resultados rápidos. A preocupação suprema com o domínio duma arte é outra condição essencial para o seu aprendizado prático. Esta condição é que permite essencialmente o desenvolvimento contínuo da arte de amar.
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um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

A felicidade está bem perto

Até aos meus oito anos, quando me perguntavam o que queria ser, eu respondia meio inseguro: "professor"... Aos nove anos, a resposta metamorfoseou-se para “engenheiro agrônomo”. Contudo, a partir dos dez anos, eu respondia invariavelmente: “quero ser engenheiro civil”. A minha maior desenvoltura já animava o entrevistador a propor uma nova questão: Por quê?
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Houve uma professora de Ciências Naturais que, perante a minha destreza na dissecação de rãs, coelhos e pombos, nos anos que precederam a minha entrada na Universidade de Luanda, me aconselhou a seguir medicina; alguns colegas me disseram, nos primeiros dois anos do curso de engenharia civil, que eu poderia dar um bom advogado, talvez, olhando ao meu talento de exposição escrita e encenação verbal num julgamento de calouros da residência universitária em que morava, em Luanda, porém eu sempre respondia que a grande razão de eu ter optado por engenharia civil era sentir que seria mais feliz e realizado nesta profissão. Até hoje, não me arrependi!... Aliás, não só sou engenheiro civil, mas também professor de engenharia civil. Aqui poderíamos parafrasear Pascal: “o coração tem razões que a razão desconhece”...
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Há uma verdade insofismável para todo o ser humano: a felicidade é um fim, não um meio. Ninguém procura ser feliz para depois alcançar algo mais. Cada um quer ser feliz, simplesmente, para ser feliz e nada mais! Ninguém procura primeiro ser feliz para ser advogado, médico ou engenheiro, depois. Só a felicidade é o nosso verdadeiro fim, o nosso propósito natural e espontâneo de existir! Tudo o resto é meio! Trabalho, profissão, casamento, patrimônio, família, etc., são meios e não fins. A felicidade é o nosso verdadeiro destino.
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Há já algum tempo eu assisti uma reportagem num programa de televisão que me fez rir bastante. Algumas madames bastante endinheiradas exibiam orgulhosamente os seus cachorrinhos bem maquiados que costumavam freqüentar sessões de psicoterapia, pois apresentavam sinais de depressão e de stress, segundo elas. Cão com depressão? Nunca tinha ouvido algo tão insólito!... Logo de seguida, assisti a uma entrevista no Programa do Jô onde o entrevistado defendia a idéia que “o ser humano era a única espécie que não tinha dado certo sobre a Terra”. E sustentava sua posição com uma frase que nunca esqueci: “o ser humano e os animais que ele domesticou são os únicos do reino animal que engordam, porque o ser humano busca viver em desarmonia com as leis do Universo e da natureza”. Então, uma luz se acendeu na minha cabeça que não parava de rir das madames e seus luluzinhos deprimidos. Portanto, agora, entendo que só cachorro que é tratado como ser humano fica deprimido. Só cachorro com pedigree tem direito a ficar deprimido e infeliz; cachorro vira-lata vive longe da depressão. Desde esse dia, decidi ser ainda mais vira-lata do que já era!...
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Assim, o que é ser feliz? O exemplo dos cachorros nos ensina que ser feliz é estar em perfeita harmonia com o Universo, de modo inconsciente ou consciente.
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Realmente, como sustenta o filósofo Huberto Rohden “a natureza extra-hominal é inconscientemente feliz, porque está sempre, automaticamente, em harmonia com o Universo”. Segundo Rohden, ao Homem cabe ser “conscientemente feliz” ou “conscientemente infeliz”. A felicidade é para a natureza um “dever compulsório”, mas para o ser humano é um “querer espontâneo”.
A natureza, ao chegar ao ser humano, coloca uma bifurcação no caminho da felicidade; à universal necessidade é acrescentada a liberdade de ser feliz. O desejo de ser feliz é intrínseco à natureza do ser humano, ainda, mais do que nos outros animais, porém poucas pessoas estão seguras que são felizes. Cada um de nós tem em si a potencialidade ou possibilidade de ser feliz, isto é, temos a felicidade incubada, porém não a felicidade manifestada.
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O que é necessário para ter a felicidade manifestada?
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A esmagadora maioria das pessoas tenta três vias: do poder, da fama e do dinheiro. Nalgum ponto do caminho assumem intimamente como verbalizou o multimilionário Jean Paul Getty: “daria tudo o que eu tenho de poder, fama e dinheiro, para ser realmente feliz”.
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Ser feliz para o Homem não é uma questão de investimento no seu ego físico-mental-emocional, não é apenas uma sensação de bem-estar físico-mental-emocional, mas sim de trilhar os caminhos da Consciência ou da Alma.
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Claro, todos precisamos de um determinado nível de conforto material para nos sentirmos auto-realizados, mas adquirir carros, casas e outras coisas materiais não nos leva a uma felicidade duradoura que supere as sensações de bem-estar ou mal-estar físico-mental-emocional. Tratar uma situação de infelicidade com aquisições no plano horizontal da existência física-mental-emocional é como querer gerar energia com uma turbina colocada no mesmo nível das águas dum lago. A fonte das águas que é o lago da barragem tem que estar bastante acima do nível da turbina para que esta possa gerar energia elétrica.
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Jesus disse que “ninguém deve pôr remendo novo em roupa velha”. Também, disse: “necessário é nascer de novo”. A chave da porta da felicidade duradoura é a transição da consciência egoísta para a consciência cósmica ou universal. Todos os grandes mestres da Humanidade afirmam que a verdadeira felicidade do ser humano na Terra consiste em “amar o próximo como a si mesmo”. Ninguém pode amar autenticamente a si mesmo se não tem uma visão nítida da sua genuína realidade interna; o mais normal é cada um se identificar com alguma facticidade externa que lhe alimente o ego físico, o ego mental ou o ego emocional. O caminho da realidade interna é a senda do autoconhecimento. Não se trata simplesmente de passar de uma vida aparente de viciosidade para outra de virtuosidade, como defendem muitas teologias e religiões; o autoconhecimento, o “nascer do espírito” de que nos falou o Nazareno, nos leva além do vicioso e do virtuoso, isto é, para a suprema sabedoria que se traduz em vida libertada, com paz, alegria e felicidade, incólumes às tortuosidades rotineiras e passageiras da existência terrena. Por isso, ele afirmou: “o Reino de Deus está dentro de vós”. O Caminho da Felicidade está dentro de nós!...
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Um abraço com um eterno desejo de felicidade para ti leitor(a) do Kabiá-Kabiaka.

segunda-feira, julho 28, 2008

O valor da amizade autêntica


Um Ser Humano só expõe a sua Alma quando ama...
Nesse ato, ele revela as suas alegrias e as suas dores, mas, principalmente, o seu pensamento. Só no ato de amar e como amamos, conseguimos arrancar o que há de mais profundo e melhor em nós, compartilhando esse valoroso patrimônio pessoal com outrem. Esse é o nosso verdadeiro patrimônio, sim, porque o dinheiro e os haveres materiais são algo que apenas passa pelas nossas mãos, algo absolutamente impessoal, não constituem verdadeiramente posse alguma, porém apenas uma responsabilidade, e nos cabe tão somente dar-lhes a destinação mais adequada... É aqui que realmente aparece o valor autêntico da amizade, a qual aproxima mentes, corações, idéias e sentimentos, pois faz-nos vivenciar momentos em que adquirimos a certeza que não há distância entre aqueles que se amam, de forma limpa e pura, isto é, sem interesses egoísticos inconfessáveis.
Conhecer o outro a quem se dedica amizade fraterna se torna, isso sim, uma senda segura para o autoconhecimento. Assim, cumprimos o cerne da nossa Missão de Vida que é realizar a Razão-de-Ser da existência propriamente humana, fazendo esta tão boa como efetivamente é a nossa Essência Divina.
Com um abraço do
Kabiá-Kabiaka.

Nascidos para brilhar e iluminar


Há cerca de seis anos li um artigo relativo a uma dissertação de mestrado que entre as suas conclusões assumia que de mil amizades iniciadas pela internet só três vingavam de forma duradoura, para além do entusiasmo inicial.
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Por que a amizade iniciada via on-line se mostra tão efêmera?

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Claro, não tenho todas as respostas, contudo muitos concordam comigo que uma das principais razões é a facilidade de qualquer pessoa assumir on-line várias “máscaras” ou identidades, escondendo quem é realmente, fazendo-se passar por quem não é e escondendo-se sob véus muito variegados. Passado algum tempo, satisfeitas as suas fantasias, simplesmente, some do mapa ciberespacial, visto concluir que a continuidade dos disfarces só redundaria em seu próprio prejuízo, traduzido num sentimento de frustração crescente.

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A frustração pessoal sempre resulta de se contrariar o nosso grande objetivo de vida. Não maior desejo natural do ser humano do que o de revelar-se, o de ser compreendido pelo seu próximo; todos nós temos uma luz própria que não deve ser apagada ou ignorada, isto é, deve ser posta no centro da sala aonde chegamos e permanecemos para que todos a observem bem e não dentro da gaveta, debaixo da mesa ou atrás da porta. Quem é cientista publica os resultados das suas pesquisas, quem é artista mostra as suas obras de arte, quem é poeta declama com paixão os seus versos, porque ninguém agüenta muito tempo conviver sozinho e em silêncio com a beleza que é capaz de perceber.

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Cada um de nós é uma “luz para o mundo... Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim, também a vossa luz deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o vosso Pai, que está no céu”. (Jesus, em Mateus 5:14-16).

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Um grande abraço do amigo Kabiá-Kabiaka.

Lei da afinidade


Por vezes, deparo com pessoas querendo aplicar ao relacionamento a tão conhecida lei do magnetismo e da eletricidade que diz “corpos de cargas magnéticas ou elétricas opostas se atraem e cargas do mesmo sinal se repelem”. Então, são levadas a pensar que para um relacionamento duradouro é bom que as pessoas até nem tenham similaridade de temperamentos, gostos, hábitos, etc. Dizem que uma pessoa complementa a outra. Eu já entrei nessa e me “estrepei” todo!... Isso é enganoso, porque ninguém completa ninguém, ninguém é a metade da laranja de ninguém, antes, cada indivíduo é um ser completo, criado com o pleno potencial de evoluir para sempre. Deve a cada dia revelar na sua imagem fenomênica o que realmente é na sua essência divina ou Imagem Verdadeira.
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A lei da atração na relação entre pessoas é a Lei da Afinidade: “semelhante atrai semelhante e os estranhos se evitam”. Quanto maior a afinidade de gostos entre os amigos, maior a harmonia e a consistência da amizade. Quanto maior a afinidade de hábitos e de ideais entre marido e esposa maior a probabilidade de “serem felizes para sempre, até que a morte os separe”.
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A Psicologia já pesquisou exaustivamente e comprovou a cientificidade da Lei da Afinidade, por isso, ela é uma Lei e não uma mera Hipótese.
Quando nem se falava em psicologia, lá, por volta de 500 a.C., Confúcio falou:

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“Coloque em primeiro lugar a lealdade e a confiança; não se associe a ninguém que não seja tão bom quanto você, e não hesite em mudar quando tiver se enganado”.
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Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Pelo menor gasto de energia

Não há no mundo
Que tanto se adapte ao solo.
Nada há mais frágil
Do que a água.
E também nada há mais forte
Que derrote o mais duro
Do que a água,
Incomparável e invencível.
Todos sabem que o fraco derrota o forte,
E que o mole vence o duro,
Mas ninguém o pratica na vida.
Somente o sábio aceita a verdade,
Quem, nos labores agrícolas,
Suporta as imundícias da terra,
Esse é o senhor da colheita.
Quem toma para si as culpas
E os sofrimentos dos pais,
Esse é o verdadeiro patriota;
Verdades ingratas são estas.
(Lao-Tsé, Tao Te Ching, Poema 78).
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Muitas vezes, digo aos meus alunos que nos estudos, no planejamento de atividades e, até, nos relacionamentos devemos sempre seguir o exemplo da água e optar pelo caminho do menor gasto de energia. Por quê? Por que esse é o caminho do equilíbrio, visto a natureza ter permanentemente o sentido do equilíbrio.
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Realmente, nem sempre quem corre mais, o mais veloz, o que sai na frente, é quem ganha a corrida. Mas, quem menos se desgasta e persiste até ao fim, quiçá, sem dar nas vistas durante a maior parte do percurso. É nesse sentido que o fraco vence o forte!...

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Em muitas disputas, é uma questão de sabedoria deixar inicialmente a outra parte satisfazer a sua vontade – o ego – e conceder-lhe a sensação de vitória, isto é, abrir mão dos nossos sonhos, idéias e direitos. Isso pode nos acarretar no princípio muito sacrifício e sofrimento, contudo no longo prazo ser a abertura de uma extensa e larga avenida cheia de oportunidades. Diz Salomão: “melhor é o fim das coisas do que o princípio delas”. É como Lao-Tsé nos adverte: “quem, nos labores agrícolas, suporta as imundícias da terra, esse é o senhor da colheita”. O que, no começo, era muito lucro para um transforma-se em prejuízo e o que era perda para outro se transforma numa grande bênção.

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Como conclusão, convém lembrar que o cristianismo saiu da Palestina para conquistar o mundo porque, como diz Paulo de Tarso, “Deus escolheu as coisas fracas para confundir as fortes”. Não só confundiram como venceram!

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Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Maneiras de viver

Existem múltiplas maneiras de viver, tantas quantas as cabeças que as comandam.
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Muitas pessoas vivem muito em função da aprovação dos outros, querem ser sempre admiradas, lisonjeadas, até, bajuladas. Correm o risco de viver numa atmosfera de hipocrisia e frivolidade, pois estão sempre buscando novidades, novas sensações que não satisfazem espiritualmente, por serem bastante efêmeras. Como dizia Gibran, essas “pessoas que se esforçam para serem interessantes são as mais aborrecidas de todas”.
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Há os que investem fortemente na via do poder, seja este social, econômico-financeiro, político, intelectual, etc., com o intuito exclusivo do seu preenchimento egoísta e não de servir outros. Granjeiam muitos admiradores e, quiçá, muitas dúvidas e insegurança por não saberem se são verdadeiramente admirados ou temidos ou, ainda, unicamente rodeados por gente interesseira e não amiga. Normalmente, se apegam muito ao que conseguem construir, porque o fizeram para si próprios, e vivem a solidão do poder, embora muitas vezes não se dêem conta disso. Em suma, quem vive em função do poder vive de status, “aquela coisa que você adquire sem precisar, com a energia ou o dinheiro que fazem falta para o que é realmente essencial, visando agradar as pessoas que não gostam de você”.
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O bom, mesmo, é ser natural, viver de uma maneira sábia, isto é, equilibrada, autêntica, simples e libertar-se de tudo o que só tem embalagem mas não tem conteúdo.
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Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Lei da impermanência

Todas as formações são transitórias;
todas as formações estão sujeitas ao sofrimento;
todas as coisas terrenas não possuem uma eternidade.
Portanto, tudo o que for constituído de forma, sensação, percepção, formações mentais, ou consciência, seja no passado, presente ou futuro, que nos pertença ou a outrem, seja grosseiro ou sutil, elevado ou baixo, distante ou próximo, deve-se compreender de acordo com a realidade e a verdadeira Sabedoria:

"ISTO NÃO ME PERTENCE; ISTO NÃO SOU EU; ISTO NÃO É O MEU SER".

(do Anguttara Nikaya e do Samyutta Nikaya).

Você e Deus

A revista “Super Interessante”, bastante lida entre os jovens brasileiros, na edição de junho 2007, trazia como reportagem de capa o título “Darwin – o homem que matou Deus”, a qual salientava que a Teoria da Evolução está cada vez mais disseminada e forte no mundo hodierno e nos leva a entender a vida sem a intervenção divina.
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Já no número de agosto, o periódico supracitado, na página 86, trazia o artigo “O Aiatolá dos ateus”, referindo-se às idéias do cientista Richard Dawkins, que defende uma educação e uma informação com ênfase no combate à ignorância que perdura na humanidade através da religião e da crença na existência de Deus, o que ele acha uma enormidade.

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Claro, as referidas reportagens suscitaram grande polêmica entre os leitores, evidenciada pelos resumos das cartas recebidas e destacadas na coluna “Desabafa: solte o verbo”, que traduziram uma acalorada esgrima entre os que acreditam e os que descrêem em Deus.

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Como a esmagadora maioria dos adeptos das três maiores religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo – encara o Budismo como uma filosofia e não uma religião, por não acentuar um conceito claro de Deus, cabe transcrever a seguir uma história atribuída a Sidharta Gautama, o Buda – a palavra buddha significa “aquele que está desperto”. Buda estava reunido com os seus discípulos certa manhã, quando um homem o abordou.

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- Existe Deus?
- Existe – respondeu Buda.
Depois do almoço, aproximou-se outro homem.
- Existe Deus?
- Não, não existe – disse Buda.
No final da tarde, um terceiro homem fez a mesma pergunta:
- Existe Deus?
- Você tem de decidir – retrucou Buda.
- Mestre, que absurdo! – disse um dos seus discípulos. - Como o senhor pode dar três respostas diferentes para a mesma pergunta?
- Porque são pessoas diferentes – respondeu o Mestre. - E cada uma se aproxima de Deus à sua maneira: pela certeza, pela negação e pela dúvida.

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Cabe referir que talvez Richard Dawkins esteja se aproximando de Deus pela negação e Charles Darwin o tenha feito pela dúvida. Claro, os caminhos da certeza só podem ser trilhados pela fé, que é por definição “a firme certeza de coisas que se esperam e a prova de fatos que não se vêem”, conforme salientou o apóstolo e filósofo cristão Saulo de Tarso (epístola aos Hebreus 11:1). Mas, nem sempre o nosso Supra-Consciente nos abre as portas para a fé, embora tenhamos sempre a possibilidade de ser guiados pela nossa Natureza Superior expressa na Intuição e Poder Interior, aquelas reservas de clarividência e energia que já tantas vezes nos iluminaram nos momentos de maior crise. O que faz com que a CRIsE perca o s e vire CRIE...

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A nossa Essência Divina é inegável, expressa na capacidade de criar muito superior a outros animais, fazendo de nós a Imagem e Semelhança de Deus, como Jesus fez questão de salientar num dos seus debates mais marcantes com os doutores da lei judaica. Então eles tornaram a pegar pedras para matar Jesus. E ele disse:

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- Eu fiz diante de vocês muitas coisas boas que o Pai me mandou fazer. Por qual delas vocês querem me matar?
Eles responderam:
- Não é por causa de nenhuma coisa boa que queremos te matar, mas porque blasfemas contra Deus. Pois, és apenas um ser humano e estás te fazendo de Deus.
Então, Jesus afirmou:
- Na Lei de vocês está escrito que Deus disse: “Vocês são deuses”
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Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Renascer a cada dia

A Bíblia diz que fomos criados à “imagem e semelhança de Deus”. Na verdade, a nossa essência divina é muito melhor do que a existência que manifestamos no dia-a-dia. Entre o que realmente somos e o que manifestamos existem múltiplos filtros que podem distorcer pensamentos, palavras e ações.

Quando alguém consegue controlar e trabalhar os pensamentos de dentro para fora, até que eles se manifestem na trilogia de sentimentos-palavras-atos, vive num estado de constante renascimento e cumpre continuamente o conselho do Grande Mestre: “vos é necessário renascer de novo!”.

Experimenta uma reedificação diária de si mesmo e comprova já na existência terrena o maior dos axiomas divinos – “mil anos são como um dia e um dia como mil anos”. A esperança renasce em cada Hoje, porque o dia de ontem é como se tivesse ocorrido há mil anos...

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Pintura renascer de Maria Manuela Mendes da Silva

Pensamento positivo ou pensamento correto?

A geração atual é a geração da auto-ajuda. As livrarias estão cheias de livros ou manuais sobre esse tema, que semana a semana aparecem nas primeiras posições das listas dos mais vendidos. De modo geral, eles realçam a necessidade de se cultivar o pensamento positivo, no sentido de ser alcançado um maior sucesso pessoal apoiado no tripé motivação – criatividade – produtividade. Eles sempre dão receitas sobre como se tornar um vencedor na vida profissional e social. Aliás, existe um mercado sôfrego por leitura desse gênero, a ponto de podermos arriscar que a auto-ajuda tem substituído para muitas pessoas o lugar da religião e também tem influenciado enormemente os sermões dos pastores e padres que mais chamam a atenção na mídia e arrastam para as suas igrejas multidões em busca de soluções milagrosas para todos os tipos de problemas, sejam materiais ou psicológicos.
Certamente, o cultivo do pensamento é das coisas mais essenciais ao ser humano. Descartes dizia “penso, logo existo”. Jesus Cristo chamou a atenção de que o que entra pela boca não é o que contamina, mas o que sai por ela. Realmente, a palavra sempre sucede ao pensamento, por isso, o controle do pensamento precede o da palavra. Sidharta Gautama, o Buda, foi mais direto: “Nós somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com os nossos pensamentos. Com nossos pensamentos fazemos o mundo”.
Agora, duas perguntas: por que há tantos adeptos vorazes de obras ou palestras de auto-ajuda que não conseguem melhorar as suas vidas? Por que é que o seu entusiasmo se desvanece quase subitamente, após as leituras ou a freqüência das palestras motivacionais? Algumas respostas podem ser adiantadas: as pessoas tomam decisões no calor da emoção do impacto positivo da leitura ou do ambiente da palestra e não amadurecem o que decidiram; muitas vezes, não são pesados os limites pessoais ou da realidade do mundo vivido e são traçados sonhos ou metas que estão muito além das possibilidades reais; outras vezes, a execução de planos traçados, até mesmo com muito capricho, depende da cooperação de outras pessoas envolvidas e não só da boa vontade individual. Enfim, mais do que pensamento positivo é preciso pensamento correto, que também inclui uma atitude positiva, mas vai muito além dela.
Cabe aqui recordar aquele pensamento muito prático, de Thiamer Toth com acréscimos: “semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás uma palavra; semeia uma palavra e colherás uma ação; semeia uma ação e colherás um hábito; semeia um hábito e colherás um caráter; semeia um caráter e colherás um destino”. Para melhor ou para pior, acrescentaríamos nós. Assim, mais do que pensamento positivo é preciso ir muito mais além, refazendo muitas vezes o ciclo: compreensão correta – pensamento correto – palavra correta – ação correta – modo de vida correto – esforço correto – plena atenção correta – concentração ou persistência correta. Portanto, o primeiro passo não é pensar positivamente sobre os nossos problemas e desafios, mas compreender corretamente a realidade do nosso mundo interno e externo que condiciona a sua solução. Em conclusão, o “sucesso é viver em harmonia” e, para isso, SER alguém, de forma significante, é mais essencial do que TER algo, de forma abundante, seja dinheiro, poder, influência, fama, status, etc.

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Passado versus presente

Uma verdade insofismável é que não é possível reeditar o passado, como se tratasse de uma nova tiragem de novos exemplares dum livro já escrito.
O passado não deve ser recordado para repetição, todavia pode ser usado como um referencial de compreensão da vida. Realmente, a vida só pode ser compreendida com um olhar para trás, embora só possa ser vivida enxergando o caminho pela frente. Aqueles que se apegam ao passado recusam o exercício da compreensão, ficam estagnados, na imitação, e, como alguém disse, “a história só se repete como farsa”. Ao tentar repetir o passado, estamos literalmente a construir uma farsa. A vida deixa de ser aventura, novidade desafiadora, um incentivo ao crescimento, e passa a ser uma reprodução, muitas vezes, dramática e vazia, sem o selo vivificante da criatividade. Recordar o passado não pode se resumir a remexer a caixa do lixo da nossa história de vida, para enredar a alma que constrói o presente e o futuro. Porque, se assim o fizermos, apenas, tendemos a uma visão limitante da vida e fatalmente passamos a prestar mais atenção em fatos negativos, que alimentam mágoas e medos, que só mancham a nossa alma. A mágoa é um sentimento do passado revivido no presente. O medo é um sentimento do passado projetado no futuro. Se deixarmos o passado semear na nossa alma mágoas e medos, então, ele se constituirá no nosso cárcere. O passado não deve ser prisão, mas libertação...
O passado também pode ser fonte de constante de inspiração. É vida, não fardo mortificante, uma vida que teima continuamente em se renovar, em novas visões de beleza nunca dantes reveladas. No passado, como no berço dos nossos primeiros anos de vida, devemos buscar inspiração, para embelezar o presente e otimizar a criação do futuro. Ninguém escolheu o berço em que nasceu! Esta minha afirmação pode conduzir a polêmicas... Efetivamente, há algum tempo assisti a uma palestra duma corrente filosófica de inspiração budista que defende a crença na reencarnação; o palestrante procurou “fazer a cabeça” dos ouvintes ao afirmar que, antes mesmo de nascermos, nós escolhemos os nossos pais terrenos e, portanto, a família a que pertencemos em cada passagem terráquea é uma opção sábia da nossa alma, visando o seu melhor desenvolvimento. Contudo, dentro de uma perspectiva bem terrena, sem o recurso da fé, eu não me lembro de ter feito algum dia essa opção e posso afirmar convictamente que “ninguém escolheu o berço em que nasceu!” Então, se assim é, como sempre me ditou a minha percepção imediata, o que eu posso buscar do berço que é o meu passado? A grande função do berço é fornecer proteção e conforto e não aprisionar o recém-nascido no desenvolvimento gradual dos seus movimentos de exploração da realidade a desvendar quotidianamente. Por isso, os pais costumam pendurar no berço muitos brinquedos multicoloridos e sonoros, para desafiar o espírito explorador do seu baby. Agora, também, na fase adulta, o nosso berço que é o passado só serve para inspiração na criação do presente e do futuro. Portanto, não há lugar para a imitação e repetição, quanto à recordação do passado, porém, para o estímulo à criatividade na vivência do presente e construção do futuro, com maior harmonia, clarividência e determinação. Com esta visão, o passado é transformado no trampolim do ginasta que vende saúde e não no divã do psicanalista que acumula confissões de frustração.
Quando Buda residiu no mosteiro do Bosque de Jeta, na cidade de Sravasti, um certo dia chamou os monges para os instruir sobre ‘a melhor maneira de viver sozinho’. O Buda então ensinou:
Não sigam o passado.
Não se percam no futuro.
O passado não mais existe.
O futuro ainda não chegou.
Observando profundamente a vida como ela é aqui e agora, o praticante permanece equilibrado e livre.
Devemos ser diligentes a todo o instante.
Esperar até amanhã pode ser muito tarde.
A morte chega inesperadamente.
Como podemos barganhar com ela?

Segundo avaliações já feitas por profissionais com pessoas que buscam ajuda psicológica, elas vivem 70% das suas vidas no passado, destilando mágoas, 20% no futuro pela expressão de ansiedade, baseada em medos, e só 10% no presente. Todavia, como salientou Buda para os seus monges, o presente é o que existe, e cada instante presente deve ser vivido diligentemente, pois esperar até ao dia seguinte pode ser muito tarde. Concluindo, o passado só serve para compreensão e inspiração e o futuro é um convite à criatividade.

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

O trabalho de viver

Se você fosse a uma entrevista e alguém lhe perguntasse: quem você é? O que responderia?

O mais normal para cada um de nós seria falar sobre as atividades profissionais desenvolvidas no presente e como tínhamos adquirido a formação profissional desde os primeiros tempos de escola, principalmente, ressaltando os nossos sucessos e encobrindo os nossos fracassos.

Concordo que a nossa atividade profissional é muito importante. Mas, ela não é nem deve ser o centro da nossa vida, atualmente. Para justificar o que afirmo, convido você a acompanhar-me numa corrente de raciocínio. No meio do século XIX, a expectativa de vida era cerca de 45 anos e pulou para os atuais 85 anos, nos países mais desenvolvidos. Naquela época do advento da Revolução Industrial, trabalhava-se 70% de uma vida, contra os 13,7% de hoje, pois temos em média 35 anos de atividade profissional para garantir a aposentadoria, portanto, (35anos/85anos)X(8horas/24horas) = 0,137. Em conclusão, o trabalho profissional só ocupa 13,7% do nosso tempo previsível de vida; nós trabalhamos 5 vezes menos do que os nossos bisavós, por isso, a atividade profissional não pode converter-se no centro das nossas vidas.

Assim, uma coisa é certa, o nosso trabalho mais essencial é o TRABALHO DE VIVER. O trabalho profissional é mais um valor entre muitos outros. O nosso mundo atravessa um período de questionamento e redefinição de valores. Todos querem redescobrir a ilha do tesouro, onde estão escondidos os segredos das coisas simples que trazem mais sucesso e mais felicidade. Sim, porque cada vez estamos mais convencidos que o sucesso é ser feliz.

Alguém disse que o maior fracasso do nosso tempo é o sucesso, uma vez que a maioria das pessoas ainda confunde o sucesso somente com possessões materiais. Todavia, o número de pessoas que não confunde sucesso com consumismo cresce de forma impressionante, a ponto de Dominique Glocheux afirmar na sua pequena e significante obra “La Vie em Rose” que já podemos “sonhar com uma GERAÇÃO ZEN DA FELICIDADE”.

Como refletiu Jo Coudert no seu livro Advice From a Failure (Um Conselho a Partir de um Fracasso): “Este não é um mundo fácil para se compreender alguém nem gostar de alguém. Mas é um mundo onde precisamos viver e, vivendo nele, existe uma pessoa que não podemos em absoluto dispensar”.

Quem é essa pessoa? Sou eu! Mas, quem sou eu? Só eu posso e devo responder, porque a felicidade é um estado de Alma e só pode ser encontrada por mim e em mim.

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Um abraço amigo do Kabiá-Kabiaka.

Minha Terra: uma visão...

Imagino-me caminhando sem eira nem beira, impelido pelas asas da
vontade de crescer, de ser outro homem, de conviver com seres humanos que me façam sair de mim próprio para um reino onde as relações se desenrolem harmoniosamente, sem esforço nem intenções previamente estudadas visando retornos egoísticos inconfessáveis, quando de repente a minha visão alcança uma realidade fácil de sentir e difícil de descrever.
Então, por trás, alguém bate nos meus ombros e diz:
- Escreve muito fielmente tudo quanto tu viste e vivenciaste!
- É quase impossível essa tarefa, meu Mestre- eu retruco- todavia como posso recusar um convite tão sublime?
Arrumo as idéias, concentro os meus olhos perscrutadores nos ínfimos detalhes que me envolvem e inicio com um espírito de missão o trabalho a mim confiado, isto é, como se dele dependesse o sentido da vida para mim próprio e, quiçá, para muitas pessoas.
O chão que eu pisava estava sempre úmido, apesar de nunca chover nessa terra. Era como se um vapor de temperatura agradável subisse permanentemente, fazendo com que as flores nunca murchassem. O sol brilhava mais forte, a ponto de eu sentir seus raios iluminarem as profundezas do meu ser. Porém, o calor que ele emanava não castigava a minha pele desprovida de melanina.
Havia todo o tipo de habitações, desde suntuosos palácios até humildes cabanas, todavia o que mais as destacava era a proteção, segurança e calor humano que se sentia dentro delas.
Assim, o que mais me impressionava era a arte de viver dos seres humanos, por isso, é dela que me ocupo a partir de agora...
Percebia-se que todos, sem exceção, se esforçavam para desempenhar bem os seus papéis, como bons atores numa peça de teatro. Era como se cada um sentisse uma íntima convicção de ter recebido da Providência Divina, sem ter sido consultado, uma missão sublime, a qual deveria ser cumprida de acordo com as Leis da Natureza, com facilidade, como a água de um rio fluindo por entre os obstáculos, desde a nascente até à foz. Ninguém reclamava do papel que tinha que desempenhar, apesar de não ter tido qualquer controle sobre a sua escolha. Isto me impressionava muito!... Uns tinham sido designados para ser líderes e simplesmente lideravam com justiça e humanidade. Outros foram selecionados para serem liderados e simplesmente seguiam as instruções dos líderes até que, quem sabe um dia, estivessem preparados para assumir os postos de comando.
Muitos ricos, em seus palácios, se sentavam em cadeiras de ouro e manejavam elegantemente reluzentes talheres de prata, mas isto não lhes tirava a humildade, que parecia congênita. Quando algum pobre batia à sua porta era muito naturalmente convidado para se sentar à mesma mesa, para compartilhar da refeição. Os pobres sabiam que a sua condição era puramente temporária, portanto não invejavam os de maiores posses, preferindo antes investir a sua atenção na melhoria das suas qualidades e aquisição de maiores virtudes. Todos consideravam que a liberdade é o único objetivo que tem valor na vida. Para todos eles, a felicidade só dependia de três coisas, que eles podiam controlar de modo muito pessoal: suas próprias vontades, suas idéias sobre os acontecimentos em que estavam envolvidos e o uso que faziam das suas idéias. Assim, a autêntica felicidade era independente das condições externas. A felicidade só podia ser encontrada internamente. Na perspectiva deles, os acontecimentos nunca são “bons” ou “ruins”, contudo a maneira como os encaramos é que pode ser boa ou ruim. Ninguém aspirava a ser outra coisa além do melhor de si mesmo, porque estava bem ao alcance do seu controle.
O hábito da crítica não era cultivado. Os defeitos dos outros eram simplesmente encarados por cada um como encobertas virtudes. Se alguém cometia o deslize de apontar um defeito a outro, a vítima respondia com um sorriso e muita naturalidade: “Acho que você não conhece todos os meus defeitos. Ou não teria referido somente esse!”
Na amizade, cada um dava o melhor de si próprio para seus amigos, pois não via outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.
Os casados se comportavam como autênticos bailarinos dançando num conjunto perfeito , mas mantinham-se separados como as cordas de uma harpa, sem comprometer a harmonia da sua vibração, de tal modo que um terceiro dançarino poderia evoluir entre eles sem quebrar a perfeição do par.
O sexo dos amantes não era casual, sempre estava inserido num contexto de compromisso pessoal, para aumentar a integridade das pessoas envolvidas, como parte de uma vida sempre em expansão.Tu também podes visitar esta terra! Ela existe, bem nas profundezas do meu SER interior!...

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Khadro Ling










Amigo(a) Leitor(a), o título deste post parece-lhe muito estranho?
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Também, me pareceu na primeira vez que o vi no site
http://www.chagdud.org/.
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Na Era da Telemática, seria impossível imaginar um lugar onde pudesse permanecer por uma semana sequer com dezenas de pessoas cujos pensamentos e conversas não passassem por temas trazidos pela televisão, jornais ou internet. Agora, eu sei que esse lugar existe.
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Se você puder passar como eu uma semana no Khadro Ling do Gonpa Brasil de Três Coroas/RS - não deixe de fazê-lo - então, sentirá os pés um pouco acima da terra, a mente um pouco acima das nuvens e o coração um pouco longe das agruras do dia-a-dia. Sairá com um combustível renovado para encarar com maior tranqüilidade os desafios inevitáveis e nem sempre apreciados da fugaz passagem terrena.
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No Khadro Ling se aprofunda a convicção de que foi um grande privilégio ter nascido e vivido como Ser Humano, onde, quando e como tudo tem ocorrido. Que nos resta pouco tempo para cumprir uma privilegiada missão neste planeta e que, por isso, devemos ter a máxima urgência e concentração em fazê-lo. Que tudo o que nos acontece, de bom ou ruim, é da nossa inteira responsabilidade, pois a lei da causalidade ou da atração é inexorável em registrar com traços indeléveis os resultados das nossas ações virtuosas e prejudiciais. Que a vida que muitas vezes encaramos como um oceano alteroso permeado por ondas de sofrimento pode ser navegada com uma rota mais tranqüila a porto bem seguro.
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Ao pensar naqueles que me mostraram pelo próprio exemplo e sem palavras um Caminho que pensava não existir no mundo dos humanos, então, me assalta um texto inspirador:
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Como traz felicidade olhar para os despertos.E ficar em companhia do sábio.Seguir então os seres brilhantes,O sábio, o desperto, o que ama,Pois eles sabem como trabalhar e controlar-se. (do Dhammapada).
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Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.
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A turma da resposta pronta

Houve uma época da vida – felizmente, durou só treze anos – em que convivi com pessoas que tinham respostas prontas para tudo. Para elas, gerir a vida é como seguir uma receita de bolo. São muito dogmáticas, acreditam em vias e soluções únicas para problemas muito diversos e as seguem com fidelidade canina. Tudo se resume a escolher com visão maniqueísta entre o certo e o errado, o bom e o mau,... Claro, o certo é a vontade de Deus e a vontade do seu Deus está bem clara no livro que funciona para eles como um verdadeiro “manual do usuário” do bom seguidor da vontade de Deus – como se nós fossemos máquinas... Se nós acreditamos que nada nos acontece neste mundo que não seja a vontade de Deus, então, só temos que seguir essa vontade que está bem revelada no manual e, pronto, apesar de interpretações tão díspares, decidimos pelo certo e pelo bem.
Se viver fosse só optar entre o certo e o errado, entre o bom e o mau, de acordo com um código bem detalhado de regras ou instruções, então, seria muito fácil viver. O pior disso tudo é que a vida, apesar de fácil, nesse caso, seria muito chata e monótona, como chatas e monótonas são as pessoas que só têm a cabeça cheia de certezas.
O meu convívio diário com a “turma da resposta pronta” terminou quando verifiquei por experiência própria que, mesmo nesse ambiente repleto de certezas, ocorrem anomalias que nada têm a ver com a vontade de Deus. A anomalia que me ocorreu e me fez “cair do cavalo” não estava prevista no manual da resposta pronta. Aliás, de acordo com o caminho que vinha perseguindo com muita dedicação e tenacidade, estava previsto algo muito diferente e até oposto. Então, as soluções indicadas para o problema ocorrido, pelos maiores experts da turma, me levaram, cada vez mais, para o fundo do poço, até que resolvi exercer o meu direito sagrado, ou divinamente transmitido, de optar...
Então, felizmente, acordei para a atraente aventura da vida que se pauta essencialmente pela incerteza... A vida é um caminho cheio de encruzilhadas, perante as quais é preciso decidir, com a única certeza que qualquer alternativa assumida trará algum sofrimento e total desconhecimento sobre o final da nova etapa iniciada.
Ao contrário do que afirma a “turma da resposta pronta”, nem sempre são os corredores mais velozes que ganham as corridas, nem sempre são os soldados mais valentes que ganham as batalhas, as pessoas mais sábias nem sempre têm o que comer, as mais inteligentes nem sempre ficam ricas, as mais capazes nem sempre alcançam altas posições e as mais virtuosas nem sempre recebem o bem como pagamento. “Tudo depende da sorte e da ocasião. Pois ninguém sabe quando a hora da desgraça vai chegar. Como aves que caem, de repente, na armadilha ou como peixes apanhados na rede, nós também podemos cair na desgraça quando menos esperamos”. (Salomão, em Eclesiastes 9:11,12).
Uma coisa a experiência da vida cheia de imprevisibilidades e anomalias já me mostrou: o problema não está em cair, mas em perder a vontade de levantar-se!

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Queime a ponte atravessada

“Queime a ponte que acabou de atravessar”, quiçá, é a melhor tradução para a frase muito usada pelos norte-americanos: “burn the bridge behind you”.
Diz-se que a dita frase se originou na guerra civil dos Estados Unidos da América, quando um general optou por destruir uma ponte, logo após o seu exército tê-la atravessado, ao entrar em território inimigo; assim, asseguraria que os seus soldados lutassem incansavelmente até à vitória final, sem terem a veleidade de pensar em retroceder.
Conta-se, também, quando o imperador grego Alexandre Magno prosseguia na sua jornada vitoriosa para o Oriente, um dos seus generais disse: “Se tivermos chance, tomaremos a próxima cidade”. Alexandre recriminou o general: “Que entendes por chance? Pensas que as chances ou oportunidades caem do céu? Pois fica sabendo que nós criamos as chances onde e quando quisermos”.
É famosa a passagem da História em que Júlio César, após a travessia do braço mais estreito do Canal da Mancha – o Estreito de Dover – mandou incendiar todos os navios para eliminar a única possibilidade de retirada que pudesse tentar o seu exército a não lutar até à morte na conquista das Ilhas Britânicas. Após o desembarque e o incêndio dos navios, os soldados romanos só puderam assumir nas suas mentes a divisa máxima: “é morrer ou vencer!”.
Também, na senda da vida, se queremos manifestar plenamente a capacidade infinita que existe em nós, na ultrapassagem das situações mais difíceis, não podemos preparar covardemente um “caminho de fuga”, em vez de encarar os obstáculos, à frente.
“Queimar a ponte que acabamos de atravessar” significa concentrar a atenção nos objetivos bem definidos, a serem alcançados, avançando a todo o custo, crendo sempre na vitória infalível, sem alimentar pensamentos de desistência ou vacilação e sem admitir o trânsito saudosista por caminhos ou situações do passado, por melhores que tenham sido, pois só podem repetir-se como farsa.
Viver feliz é viver intensamente cada momento como uma bênção inigualável, cada dificuldade como um desafio, cada nova situação de vida como uma nova oportunidade de aprendizagem e aprimoramento.
A finalizar, duas sentenças incontestáveis:
Quem já navegou no Canal de S. Jorge já aprendeu há muito tempo que um mesmo golfinho não pulará duas vezes a mesma onda e no mesmo lugar!
Uma partícula de água de um rio não passa duas vezes sobre a mesma pedra, mas dirige-se inexoravelmente para o Oceano de Vida Infinita! Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Olhar para a frente ou para trás?

No seu dia-a-dia, repita uma experiência significativa, ao encontrar amigos ou colegas de trabalho, num cara-a-cara, lance o convite desafiador: fale-me sobre a sua vida! E, tenha a máxima paciência para ouvir em absoluto silêncio, sem interrupções.
Aposto que bem mais de 90% deles desfiarão um rosário histórico com início praticamente no nascimento e com recordações sobre episódios relativos à caminhada da vida que já percorreram, lugares por onde passaram, histórias de família, experiências profissionais, etc.
Não sei se por condicionamento cultural ou insegurança visionária, a vocação nostálgica ou saudosista acaba por se impor na resposta de quase todos nós, quiçá assumindo o controle da nossa vida. Mas o que é a vida, afinal? É essencialmente o passado, ou é o presente e o futuro? É o caminho percorrido ou a senda a descobrir?
Para mim, o passado é História! E, dele, o melhor é recordar o bom para elevar a auto-estima, o amor-próprio e o ânimo para encarar maiores sonhos e desafios com muita pertinácia e sabedoria.
Quanto a repetir o passado, eu creio sinceramente que isso só é possível como farsa e seria negar a nossa capacidade natural de transformar continuamente o mundo, o que mais nos distingue dos restantes animais, a “imagem e semelhança de Deus” com que fomos criados. No teatro da vida somos atores reais e não meros farsantes, porque a maior desgraça do ser humano é viver no fingimento e enganar-se a si próprio, fingir viver quando se é “morto-vivo”, fingir amar quem não se suporta, fingir servir só para obter benefícios em troca, etc.
E, quanto às coisas ruins que vivenciamos no passado? O que devemos fazer com elas? Se fomos causadores, então, a melhor estratégia é admitirmos e analisarmos os nossos erros e aprender com eles, pois erros não são derrotas e sim meras “oportunidades de aprendizagem”. Quantos rastejam na vida sob o peso da culpa e esquecem-se da vida que ainda têm pela frente?! O que ocorreu de ruim contra a nossa vontade, mas imposto por outrem, infligindo-nos sofrimento, devemos considerar apenas que contribuiu decisivamente para o crescimento da nossa inteligência intrapessoal, isto é, nos moldou para sermos a pessoa que mais amamos – nós próprios. Por tudo isso, o passado é História!...
Agora, a vida é o presente e o futuro. Mais o presente que o futuro. Já dizia o humorista Aparício Torelli (1895-1971), o auto-intitulado Barão de Itararé: “sabendo levá-la, a vida é melhor do que a morte”. Viva a filosofia do Barão de Itararé!
Assim, arriscaria a concluir que a vida é essencialmente o presente, pois devemos “viver intensamente cada momento como se fosse o último”, como se estivéssemos sorvendo demoradamente cada gole do precioso e revigorante “néctar dos deuses”.
Situarmos-nos equilibradamente entre o passado e o futuro é um exercício que requer muita reflexão e sabedoria, como constatou Gibran Khalil Gibran:
Minha casa me diz: “Não me deixes, pois aqui mora o teu passado.”
E a estrada me diz: “Vem e segue-me, porque sou o teu futuro.”
E eu digo a ambas: “Não tenho passado, nem futuro. Se ficar, aqui, haverá uma ida em minha permanência; e, se partir, haverá uma permanência em minha ida. Só o amor e a morte mudam todas as coisas.”

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Desejos e realidade

Natal e Ano Novo constituem uma época de mensagens que cimentam amizades exercitadas durante o ano que passou e reaproximam amigos que as múltiplas tarefas e escolhas da vida se encarregaram de afastar temporariamente. O conteúdo dos textos é repleto de palavras que geralmente invocam um clima de maior harmonia entre as pessoas que se relacionam, de perto ou de longe. Muitas vezes, se repete a frase bíblica “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”. É verdade, no Natal, fala-se e escreve-se muito sobre Harmonia e Paz. Mais à frente, ao virar do ano, a atenção das pessoas fixa-se mais em desejos de muita Prosperidade.

Praticamente, acompanho pela TV as notícias dos principais acontecimentos no mundo. Como o mundo ficou pequeno com os novos meios de comunicação!... As notícias me levam a uma reflexão de como há uma profunda discordância entre os desejos veiculados pelas mensagens natalícias e de passagem do ano e a dura realidade da vida neste mundo!... É do cão!... É um mundo-cão!... Ouço e leio sobre inocentes queimados vivos por traficantes num autocarro no Rio de Janeiro... Ouço sobre um pai que resolve matar a própria filha e a enteada na presença da mãe como ato de vingança por uma separação anunciada... Sou informado da matança de mais de trinta pessoas por dia nos atentados ininterruptos no Iraque... E são os palestinos que agora se matam uns aos outros porque não se entendem sobre a melhor estratégia de acabar com Israel... Enfim, efetivamente, mesmo no Natal, o mundo não conhece um só minuto de paz entre os homens, mesmo encarando-se a paz como a simples ausência de guerra. Realmente, sou forçado a concluir que o maior inimigo da Humanidade é o próprio ser humano.

O que leva o ser humano a conflitos infindáveis e, por vezes, considerados insanáveis? Quais as principais causas do conflito entre as pessoas?

Eu diria que os conflitos, desde os familiares aos mais generalizados entre grupos de pessoas, provêm de três hábitos tão acariciados pela esmagadora maioria das pessoas: julgar, controlar e ser dono da verdade. Estes hábitos perniciosos só se combatem com outro que deve ser cultivado com muita concentração que é o desprendimento.

A natureza nos dá lições de desprendimento e simplicidade. Os animais não têm necessidade de conquistar mais do que precisam para o seu sustento diário. À exceção do homem, qualquer animal não vive para ter, mas simplesmente para ser. Basta pensar que os únicos animais que engordam, além do próprio homem, são somente os que ele domesticou, pois os animais no seu habitat natural têm o peso correspondente à sua idade e equilíbrio com o ambiente. O mesmo se passa com as plantas. Por isso, Jesus invocou a reflexão sobre a simplicidade dos passarinhos e das flores do campo, para curar a nossa ansiedade sobre o ter e o acumular para o tempo futuro:

Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? E nenhum de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso.
E por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu vos afirmo que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores.

Realmente, os nossos conflitos do dia a dia, dentro e fora de casa, resultam das nossas preocupações contínuas com o controle de maiores possessões materiais, com o poder sobre os outros, com o julgar os outros com base nos nossos preconceitos do que é o certo e o errado, sem abertura para o diálogo num espírito desprendido. Precisamos refletir mais sobre a simplicidade e a riqueza da chuva, o brilho das estrelas, a leveza dos pássaros, a fraqueza da formiga que se compensa pela persistência. Precisamos aprender mais com quem simplesmente é. E não com quem simplesmente tem.

Uma coisa que me chamou a atenção nas imagens que a televisão me trouxe recentemente foi com a capacidade que muitas crianças demonstraram de brincar e ser felizes em zonas de guerra, como no Iraque, ou em campos de refugiados, como os do Sudão. Qual a diferença entre os adultos e as crianças em situações de tensão e conflito? As crianças vêem o mundo de maneira bem mais otimista, a menos que já tenham sido “corrompidas” pelos adultos, pois elas são muito vulneráveis à influência dos adultos, principalmente, dos pais. A verdade é que uma criança na plena posse da sua integridade abre mão da responsabilidade de julgar, controlar e de estar certa em todas as ocasiões. As crianças simplesmente querem ser, mostram o que sentem e exprimem o que mais querem no momento. Isto é felicidade e autoconfiança natural. Todavia, comprovando a facilidade da corrupção do espírito das crianças pelo dos adultos, vimos uma fotografia com uma criança manipulando uma metralhadora pesada em cima de uma camioneta com a seguinte legenda: “Guerra civil na Somália: até crianças foram recrutadas para expulsar milícia islâmica”.

Vamos resgatar, em cada dia do ano, a criança que ainda existe dentro de nós, como disse Jesus: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se vocês não mudarem de vida e não ficarem iguais às crianças, nunca entrarão no Reino do Céu”. Copiar as crianças é imitar a sua abordagem infantil de ser feliz, isto é, ver o mundo e as dificuldades como elas vêem, embora com a responsabilidade e o comportamento próprio de adultos.

Um grande abraço do

Kabiá-Kabiaka.

A vida é um longo pensamento

A vida? Sim, o que é a vida?
- Uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, mas que não significa nada. – diz Mac Beth, na sua visão pessimista que encontra eco em muitos, hoje em dia.
- A vida é um longo pensamento. – discorda Khalil Gibran, na sua visão positiva habitual e contagiante.
Para mim, na visão viciada de engenheiro civil, a característica mais intrínseca do pensamento é a sua plasticidade.
Os pensamentos não nascem para serem rígidos como alguns materiais que se tornam quebradiços, quando têm que suportar certos níveis de tensão. Como os materiais plásticos, os pensamentos devem assumir continuamente novas formas sob tensão sem entrar em colapso.
Os pensamentos devem escoar, embora mantendo a solidez. Materiais plásticos escoam permanecendo sólidos, sem se tornar líquidos ou gases. Assim, os nossos pensamentos devem escoar como os materiais plásticos, mas devem manter solidez ou ser consistentes, sem se liquefazer ou se tornar voláteis, sem sumir pelos ralos da vida ou se tornarem volúveis no espaço em que convivemos.
Plasticidade é diferente de elasticidade. Um material elástico sempre reassume a forma inicial quando cessa a tensão que o deformou, todavia um material plástico mantém a nova forma, após cessar a ação deformacional. Assim, também deve ser o nosso longo pensamento que é a vida, embora mantenha o registro das tensões, desafios e experiências por que passou, não deve almejar a volta às formas antecedentes nem focar somente o que já ocorreu. Portanto, a vida não deve ser uma história – como pretendia Mac Beth – sim, deve ser um longo pensamento que se escoa sem rupturas ou colapsos, porque possui plasticidade para superar os desafios e obstáculos, quaisquer que sejam as tensões e novas formas por eles impostas.
Um grande abraço do
Kabiá-Kabiaka.

A lei da ação e reação

As leis da Mãe Natureza são implacáveis, inabaláveis e sábias, porque elas sempre buscam o equilíbrio. Uma delas que, também, se aplica ao relacionamento entre as pessoas e às mais variadas facetas da vida é a Lei da Reciprocidade da Ação e Reação. Ela normalmente é verbalizada por vários enunciados:
1) “A gente colhe o que a gente planta”;
2) “Aquilo que o homem semear, isso, ele colherá”;
3) “A energia que transmitimos para o universo determina aquela que recebemos de volta”;
4) “É dando que se recebe”;
5) “Recebe-se conforme o grau com que se agradece, e perde-se conforme o grau com que se queixa”;
6) “A vida é um eco”;
7) “Você tem de volta o que você dá para as pessoas”;
8) “Quem vale menos do que custa acaba por ser demitido”.

As declarações anteriores nos esclarecem que a vida é muito simples, apesar de exigente. Ela é regida pela lei máxima: o que damos, recebemos. Também, essas declarações podem ser encaradas como versões gêmeas da Terceira Lei de Newton – Princípio Físico da Ação e Reação: “a toda ação há sempre oposta uma reação igual, ou, as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas a partes opostas” (na versão original, no latim: “Lex III – actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi”).

Albert Einstein, o pai da Teoria da Relatividade que também se interessava bastante pela busca do sentido da vida, verteu a Terceira lei de Newton para a nossa vivência comum da seguinte maneira: “A vida é como jogar uma bola na parede; se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; se for jogada uma bola verde, ela voltará verde; se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca; e, se a bola for jogada forte, ela voltará com força. Por isso, nunca jogue uma bola na vida de forma que você não esteja pronto a recebê-la. A vida não dá nem empresta; não se comove, nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos”.

Um abraço do Kabiá-Kabiaka.
http://kabiaka.blogspot.com

Shodo

A palavra Shodo tem origem etimológica japonesa.
Nos primórdios do nascimento da língua japonesa havia uma preocupação constante em ligar as atividades realizadas, ou seja, o trabalho ao aprimoramento da alma. Assim, shodo é a soma de dois termos - sho=escrita e do=caminho para a elevação espiritual. Shodo significa "arte de escrever".
Portanto, o nome deste blog KABIAKA SHODO indica claramente que aqui exercerei a arte de escrever visando o aporimoramento da alma, a minha e daqueles que me lêem.
Se este blog cumprir o seu objetivo maior, então, só posso dizer a todos os meus leitores: MUITO OBRIGADO! MUITO OBRIGADO! MUITO OBRIGADO!
Se, após a leitura, cada um sentir um lampejo de gratidão, então será acrescida mais uma pedra à construção da reconciliação universal, porque a reconciliação e harmonia autênticas sempre passam pelo recíproco agradecimento.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.