QUEM É O HOMEM?

Conhecei bem a Imagem Verdadeira do homem: o homem é Espírito, é Vida, é Imortalidade.
Deus é a Fonte Luminosa do homem e o homem é luz emanada de Deus. Não existe fonte luminosa sem luz, nem existe luz sem fonte luminosa. Assim como luz e fonte luminosa são um só corpo, Deus e homem são um só corpo.
Porque Deus é Espírito, o homem também é Espírito. Porque Deus é Amor, o homem também é Amor. Porque Deus é Sabedoria, o homem também é Sabedoria.
O Espírito não é peculiar à matéria, o Amor não é peculiar à matéria, a Sabedoria não é peculiar à matéria.
Portanto, o homem, que é Espírito, que é Amor, que é Sabedoria, nada tem a ver com a matéria.

(Trecho da "Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade", revelada ao Prof. Masaharu Taniguchi).

sexta-feira, agosto 08, 2008

NASCER DE NOVO

Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo.
Jesus Cristo, in Evangelho de João, 3:3.

Já escrevemos em outro artigo sobre a declaração de Jesus de que o “Reino de Deus está dentro de nós”, portanto, não se referiu a um lugar distante no tempo e no espaço, ou seja, um céu que muitos cristãos desesperadamente procuram, mas nem sabem definir o que é e como chegarão lá. Agora, o que Jesus quis dizer com o “nascer de novo” para ver o Reino de Deus? O que é nascer de novo para ver o Reino de Deus que está em nós?

O próprio Jesus deu a resposta: “ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do espírito”. O proselitismo cristão defende que Jesus significava que era necessário passar pelo batismo de imersão, durante o qual se dá o derramamento do Espírito Santo, e aderir à igreja de Cristo para ter a possibilidade da salvação, isto é, ter a primeira garantia da passagem para o Céu. Para mim, esta é uma interpretação muito reducionista e fora do contexto da maravilhosa obra de Jesus neste mundo, porque Ele realmente sempre esteve mais preocupado em ensinar as pessoas a viver do que em granjear adeptos ou fundar uma igreja.

“Nascer da água e do espírito” é passar por uma completa lavagem mental, adotando uma nova postura perante a vida, com maior autenticidade espiritual e livre de hipocrisias e simples aparências. Trata-se efetivamente de despoluir a mente e abandonar velhos preconceitos que nos impedem de evoluir espiritualmente, desfrutando da infinita força vivificante da essência divina que é a “imagem e semelhança de Deus” em nós, a Fonte da Água da Vida que faz saltar para a Vida Eterna. A Fonte Infinita de sabedoria, amor, vida, provisão, alegria e harmonia, que nos levam a uma transformação completa de “renascimento” e “iluminação”.

O budismo, no Japão, refere-se a este “renascimento” com o termo “Kan no ten-Kan”, que pode ser decomposto em “Kan” + “ten-Kan” = “ver com a mente” + “converter”. Então, no budismo, vivenciar o “renascimento” ou a “iluminação” é precisamente “converter o modo de ver com a mente”. E, Jesus quis dizer com o Seu “nascer de novo” a mesma coisa. Trata-se de purificar e lavar a mente e adotar um novo ponto de vista espiritual. Este é o nosso grande desafio, qualquer que seja a nossa religião.

Para renovar o meu ambiente e o mundo em que vivo eu devo, antes de qualquer coisa, renovar a minha mente. Se eu transformar o modo de ver da minha mente, despoluindo-a do lixo mental, eu mudo para melhor e, “se eu mudar, o mundo se transformará”!


Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

quinta-feira, agosto 07, 2008

O REINO DE DEUS

No evangelho de Lucas (cap. 17, versos 20 e 21) está escrito que alguns fariseus perguntaram a Jesus quando o Reino de Deus chegaria e que Ele respondeu:

- Quando o Reino de Deus chegar, não será uma coisa que se possa ver. Ninguém vai dizer: “Vejam! Está aqui” ou “Está ali”. Porque o Reino de Deus está dentro de vocês.

Jesus era o que se pode chamar de “monista cósmico”, isto é, para Ele Deus não é um conceito ou algo separado de cada um de nós; antes, na resposta de Jesus aos fariseus se conclui que as criaturas não são novas realidades, mas sim manifestações da Realidade Única e Una, que também é o Uno da Essência, o Tao, o Todo, a Fonte, a Causa, a Alma do Universo, a Divindade, o Absoluto, o Infinito, o Eterno, o Insondável, a Grande Vida, a Inteligência Cósmica, a Consciência Universal, a Mente Única, a Mente Pura, Alá, Eu Sou, etc. Para Jesus não existia a dualidade “eu” e “Deus”, ou seja, as criaturas não existem separadas de Deus, antes o Uno da Essência se revela pela diversidade das existências. Deus está em tudo e tudo está em Deus, porém Deus não é tudo e tudo não é Deus.

Em conclusão, eu não estou separado de Deus, porém não sou idêntico a Deus. Eu e Deus somos um, mas eu não sou Deus. Deus é a Fonte Luminosa e eu sou a Luz Emanada dessa Fonte. Não existe Fonte Luminosa sem Luz e não existe Luz sem Fonte Luminosa. Agora que sabemos quem somos vamos atender ao apelo do Grande Mestre (João 12:36):

- Enquanto vocês têm a luz, creiam na luz para que possam viver na luz.

quarta-feira, agosto 06, 2008

O senso do equilíbrio


Só se pode encher um vaso até a borda –
Nem uma gota a mais.
Não se pode aguçar uma faca,
E logo atestar a sua agudeza.
Não se pode acumular ouro e pedras preciosas,
Sem ter lugar seguro para guardá-los.
Quem é rico e estimado,
Mas não conhece a sua limitação,
Atrai a sua própria desgraça.
Quem faz grandes coisas,
E delas não se envaidece,
Esse realiza o céu em si mesmo.

(Laozi ou Lao-Tsé, in “Tão Te Ching”).

Certamente, você conhece alguém que não gosta de tirar férias porque acha que o setor da empresa onde trabalha não vai funcionar bem se ele se ausentar por algum tempo. Geralmente, isso ocorre com chefes que não gostam de delegar responsabilidades, querem “abraçar o mundo” e apreciam subordinados hierárquicos que sejam mais imitadores ou servidores do que multiplicadores ou colaboradores. Se vão de férias, por obrigação legal, então, o setor normalmente até aumenta a qualidade e produtividade porque as pessoas que ali trabalham se sentem mais aliviadas e aprofundam o sentido da cooperação harmoniosa e o espírito de equipe. Quando o chefe volta, ele fica decepcionado porque a empresa progrediu, em vez de desmoronar. Se ele tivesse lido Lao-Tsé, “o velho filósofo”, saberia que um vaso só se pode encher até a borda, ou seja, que não adiantaria nada ser um chefe usurpador-centralizador, mas sim um agente de multiplicação.

A tendência de trazer a língua bem afiada como uma faca para meter sempre o bedelho onde não é chamada é uma tentação para qualquer ser humano, quando não se cultiva a plena atenção sobre as razões de termos somente uma língua e dois ouvidos; assim, devemos considerar a nossa palavra um tesouro, por isso, a ser pronunciada no momento exato, moderada, plena de sentido e embasada em argumentos sólidos.

Ter riqueza material e viver sempre preocupado com a eventualidade de perder a fortuna é a mesma coisa que ser pobre. Também, é de pouca utilidade, até para o seu detentor, a riqueza que leva à arrogância e desprezo em relação aos de menores posses, pois essa postura tende a atrair rejeição e desgraça. O melhor é usar a riqueza para gerar benefícios aos outros e para o país, como montar uma empresa que seja fonte de prosperidade para a humanidade. Como disse Henry Ford: “a riqueza não é um fim, mas um meio”. Se ele não tivesse vivido esse pensamento, então, hoje ninguém falaria mais nele, como foram esquecidos muitos multimilionários do seu tempo.

Finalmente, quem se envaidece dos seus bons feitos já obtém com isso todo o pagamento ou retorno que merece como os fariseus do tempo de Jesus que mandavam tocar a sineta sempre que contribuíam para o templo.

.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

Equilíbrio de Dada de Milena Fonseca.

domingo, agosto 03, 2008

O perigo de julgar os outros

Na Bíblia está escrito que Davi, o mais ilustre rei de Israel, “o homem segundo o coração de Deus” (At. 13:22), disse preferir ser julgado por Deus, em vez de ser julgado pelos homens. Realmente, o juízo dos homens nem sempre é isento, porque pode ser afetado pela atração ou rejeição com fundo emocional.

Uma pessoa quando está apaixonada até acha graça em características da pessoa amada que outros consideram como defeitos. Todavia, muitas vezes, com o desgaste do convívio rotineiro pode ser que nasçam sentimentos de aversão, que degenerem até em raiva e ódio, e os cônjuges, antes apaixonados, começam a diagnosticar um monte de defeitos um no outro, transformando o diálogo romântico em troca de acusações, o que pode degenerar em separação e divórcio. O interessante é que nenhum dos parceiros mudou, mas, sim, o que mudou foi a atitude mental de quem observa... A postura mental, antes sob a égide da paixão, passou a modificar-se com o desgaste da rotina do convívio, no dia a dia, e o que antes era bem passou a ser mal.

Ao conviver e observar as outras pessoas, devemos pensar que os outros estão a ser observados segundo a nossa postura mental, segundo as nossas crenças e valores, que podem não ser os mesmos de quem consideramos falhos e defeituosos. Por isso, devemos sempre repensar o nosso “critério do bem e do mal” antes de julgarmos alguém, porque esse conceito pode ser muito subjetivo. Assim, quando alguém diz “ele é ruim” pode querer dizer “ele é inconveniente para mim, porque não satisfaz o meu ego”; ao dizer “o meu filho é rebelde”, pode significar “ele não satisfaz a minha soberana vontade”, quando com um pouco mais de humildade poderia ser “nunca tomo tempo para perguntar ao meu filho o que ele acha ser melhor para o desenvolvimento dele”, o que o faria refletir sobre os problemas que ele mesmo teria que resolver.. Enfim, o mesmo serve para qualquer outra pessoa, marido, esposa, amigo, colega de trabalho, etc.

O critério de bem e mal deve estar baseado na “Ética dos Princípios”, divinamente embasados, e não na “Ética de Resultados”, melhores para mim. De qualquer modo, antes de julgar alguém, cultivemos o hábito de não ver a pessoa a partir da nossa posição, mas colocando-nos no lugar dela... É bom experimentar calçar os sapatos do outro, embora eles possam não servir para mim!

.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.


sábado, agosto 02, 2008

O Inferno e o Céu

Um valente samurai certo dia procurou um pequeno monge zen-budista e perguntou:

- Oh, monge, ensina-me sobre o Céu e o Inferno!
- Ensinar-te sobre o Céu e o Inferno? Como ensinar-te alguma coisa? De nada aproveitaria. Tu estás imundo. Exalas um fedor insuportável. A lâmina da tua espada está gasta e enferrujada. Você, como samurai, é uma decepção total. Uma vergonha. Sua presença é detestável. Suma imediatamente da minha vista!...

O samurai ficou vermelho de raiva, a ponto de nem replicar ao monge por palavras. Ele, que sempre se considerou um grande guerreiro, não poderia admitir tanta ousadia. Então, resolveu erguer a espada vigorosamente e preparou-se para decepar a cabeça do monge.

- Isso é o Inferno. Disse o monge com absoluta mansidão.

O samurai, parou, pensou duas vezes na sua decisão e na intervenção do monge. Foi baixando lentamente a espada com o coração apaziguado pela explicação serena do monge que lhe ofereceu a própria vida para esclarecê-lo sobre a natureza do Inferno.

- Isso é o Céu. Rematou serenamente o monge.

Conclusão: a raiva faz da nossa vida um Inferno e a serenidade faz-nos viver no Céu. Quando nos sentimos provocados a ponto de sentir raiva, o melhor é inspirar e expirar lenta e profundamente, enquanto contamos até dez; quando a provocação nos levar a sentir muita raiva, o melhor é continuar contando até cem. De qualquer modo, se algumas vezes fracassarmos, é bom pensar que o erro é um passo para o aprimoramento, desde que o reconheçamos e insistirmos em prosseguir no treinamento para acertar. A cada êxito repetido, o hábito positivo se estabelece gradativamente até que se torne definitivo...

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.


sexta-feira, agosto 01, 2008

A sincronicidade e o poder da palavra


No ano 29 da Era Showa (1954) o Sr. Toshiki Kaifu, aos 29 anos de idade, foi eleito deputado pela primeira vez, na 29ª. eleição para a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) do Japão. No seu discurso de posse, em 1955, ele fez a seguinte previsão: “Serei primeiro-ministro daqui a 29 anos.

No mês de agosto de 1989, precisamente, 29 anos após a sua posse de deputado, o Sr. Toshi Kaifu tornou-se primeiro-ministro do Japão, depois de ter vencido a eleição para presidente do Partido Liberal Democrático.

O que os dois parágrafos precedentes querem dizer é que a nossa palavra é criativa, quando pronunciada com convicção resultante da visualização mental, com o detalhamento até de datas que para nós exercem significado especial.

Além disso, o conjunto de detalhes assinalados pelo número 29 constitui o que o psicólogo Carl Gustav Jung batizou por “sincronicidade”. Por definição, “a sincronicidade é um conceito desenvolvido para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal, mas por relação de significado”. Por isso, ela é também chamada de "coincidência significativa".

Para a Psicologia, a “sincronicidade” não é caracterizada por simples coincidências, mas contém um padrão subjacente dinâmico que é expresso através de eventos ou relações significantes; isto é, a sincronicidade é reveladora e necessita de compreensão que, na maioria das vezes, não passa pelo raciocínio lógico, mas sim por uma compreensão subjetiva e espontânea que Jung denominou de “insight”.

Jung afirmou ainda que o ser humano tem quatro funções mentais básicas: razão, emoção, sensação e intuição. Em cada pessoa, predomina uma dessas quatro funções. Mas quando trabalhamos internamente estas funções na direção do equilíbrio, uma nova função deve ser acrescentada: a sincronicidade.

À semelhança do primeiro-ministro Toshi Kaifu, exerçamos, a cada dia, maior criatividade para acrescentar a “sincronicidade” aos nossos planos de vida, com o exercício visual do Poder da Palavra!... Se essa Palavra tiver um relacionamento estreito com o que podemos designar por nossa “natureza divina” ou “natureza búdica”, então, o seu poder será exponencial!...
.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.