QUEM É O HOMEM?

Conhecei bem a Imagem Verdadeira do homem: o homem é Espírito, é Vida, é Imortalidade.
Deus é a Fonte Luminosa do homem e o homem é luz emanada de Deus. Não existe fonte luminosa sem luz, nem existe luz sem fonte luminosa. Assim como luz e fonte luminosa são um só corpo, Deus e homem são um só corpo.
Porque Deus é Espírito, o homem também é Espírito. Porque Deus é Amor, o homem também é Amor. Porque Deus é Sabedoria, o homem também é Sabedoria.
O Espírito não é peculiar à matéria, o Amor não é peculiar à matéria, a Sabedoria não é peculiar à matéria.
Portanto, o homem, que é Espírito, que é Amor, que é Sabedoria, nada tem a ver com a matéria.

(Trecho da "Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade", revelada ao Prof. Masaharu Taniguchi).

domingo, novembro 16, 2008

MONISMO FÍSICO E METAFÍSICO

Pinturas representativas dos elementos químicos hidrogênio (N=1) e laurêncio (N=103).

No meu post precedente escrevi algo sobre a unidade que pode ser identificada na diversidade da natureza com conceitos até rudimentares da física quântica. A verdade é que a partir já da física nuclear, que inaugurou a Era Atômica, a visão científica do mundo passou a ser monista, isto é, os 103 elementos químicos que constam da Tabela de Classificação Periódica, desde o simples hidrogênio ao laurêncio de maior complexidade, são considerados manifestações várias de uma única substância básica que é a “luz cósmica”.     

Se encararmos o mundo metafísico sem visões sectárias, podemos vislumbrar a mesma “unidade na diversidade”, a ponto de afirmarmos que Filosofia, Psicologia, Yoga e Religião não devem ser consideradas como sapiências desconexas e independentes. Podemos considerá-las como os quatro ramos de uma grande árvore cuja raiz mais profunda converge para um ponto único.   

Einstein dizia que à Filosofia cabia um papel único de dar ao ser humano o que a Ciência não poderia satisfazer. Compete à Ciência descobrir os fatos do mundo objetivo e à Filosofia realizar os valores do mundo subjetivo do ser humano; a Ciência descobre “aquilo que é” e a Filosofia realiza “aquilo que deve ser”; a Ciência tem por missão “fazer o Homem erudito”, enquanto a Filosofia deve “fazer o Homem bom e feliz”; a Ciência “descobre fatos” e a Filosofia “realiza valores”.

O filósofo Huberto Rohden diz que “a verdadeira Filosofia monista é antropocêntrica, gira em torno do homem integral”, porque “o homem é a medida de todas as coisas”. Assim, segundo Rohden, para o homem se tornar bom e feliz, pela via filosófica monista, ele deve: 1) conhecer-se a si mesmo – autoconhecimento; 2) realizar-se de acordo com esse conhecimento de si mesmo – auto-realização. Mediante o autoconhecimento o homem alcança uma intuição espiritual da sua natureza íntima, ou seja, atinge a “vidência mística” ou “sapiência cósmica”; então, após iniciar a experiência de “vidência mística”, o homem passa a ter a “vivência ética” que leva à auto-realização.

O Budismo diz que existem cinco venenos da mente: aversão, apego, orgulho, inveja e ignorância. Eu gosto de colocar esses cinco venenos na seguinte ordem: ignorância, aversão-apego, orgulho-inveja; sinto que aversão-apego e orgulho-inveja são verso-anverso de duas moedas e que a ignorância deve ser colocada em primeiro lugar como a mãe de todos os venenos mentais e não-virtudes. Efetivamente, Budha revelou que nós sofremos o que sofremos essencialmente porque ignoramos a nossa natureza verdadeira que é a “natureza búdica”, ou seja, eliminamos o sofrimento quando alcançamos a “iluminação”, que significa meramente descobrir dentro de nós o que já existe lá, a natureza intrínseca chamada de buddha (buddha = “aquele que está desperto”). Cada um de nós na sua essência é budha ou “sang dje” em tibetano (“sang” = “imaculado” e “dje” = “realização plena”). Assim, pratica-se o budismo para torna-se buddha ou conhecer a “natureza búdica”autoconhecimento, e, com este conhecimento da própria natureza intrínseca, alcançar a realização plena – auto-realização. Assim, também, para o praticante budista, a vidência mística deve levar à vivência ética.

No Xintoísmo originário do Japão o grande objetivo da prática religiosa é tomar consciência da sublimidade da Vida que é adquirir a suprema convicção de ser Mikoto (Ser Divino). Assim, para um xintoísta o princípio fundamental norteador das suas práticas é despertar para a Verdade do conhecimento da sua “Imagem Verdadeira” que é “Espírito de Deus”. Este autoconhecimento leva à prática ética, quando se considera a unidade com todos os seres humanos que fazem parte de uma mesma Vida ou Espírito.

No Bhagavad Gita, livro sagrado do Hinduísmo, o homem é convidado a assumir a sua identidade real – Eu interior – pelo conhecimento de quatro tipos de Yoga: Jnani (espiritual), Raja (mental), Bhakti (emocional) e Hatha (corporal), atingindo através destas práticas o autoconhecimento ou “vidência mística” do Homem Integral. A “vivência ética” deve ser desenvolvida pela “Karma-Yoga” ou yoga da ação.  

No sistema monoteísta semítico, do Judaísmo e Cristianismo, o monismo encontra-se tão vincado como nas grandes religiões orientais – Budismo, Xintoísmo e Hinduísmo –, embora usando uma linguagem que lhe é própria, pois usa o termo Deus em vez de Buddha/ Imagem Verdadeira/ Eu. No Antigo Testamento, em Salmos 82:6, está escrito: “Eu disse: vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós. Portanto, já nos tempos do Judaísmo de Moisés poderíamos apelar para o raciocínio: “filho de gato é gato e o Homem é Filho de Deus, portanto, Filho de Deus é Deus!”.

No Evangelho de João 10:32-36, está registrado o seguinte debate entre Jesus e os judeus:

- Disse-lhes Jesus: Muitas obras boas da parte de meu Pai vos tenho mostrado; por qual destas obras ides apedrejar-me?

- Responderam-lhe os judeus: Não é por nenhuma obra boa que vamos apedrejar-te, mas por blasfêmia; e porque, sendo tu homem, te fazes Deus.

- Tornou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois Deuses?

- Se a lei chamou Deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?

Um dia um fariseu preocupado em fazer da vida religiosa um mero e rigoroso cumprimento de regras e códigos, perguntou a Jesus qual devia ser considerado o principal mandamento da Lei. Em Mateus 22:37-40 está documentado que Jesus lhe respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. A religião para Jesus sempre foi muito simples, ao contrário da complicação e visão conflituosa ou sectária que nos é transmitida pelos teólogos cristãos atuais, pois, segundo o Cristo, o autoconhecimento ou alcance da “vidência mística” ou “sapiência cósmica” do Homem Real como Filho de Deus e Deus é o “primeiro e maior de todos os mandamentos”. Em certa ocasião ele ressaltou: “o Reino de Deus está dentro de vós”... Depois, vem a “vivência ética”, como espontâneo transbordamento da mística, através do mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Também para o Nazareno, este conceito é a base da religião integral, porque fez questão de rematar:  “Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. É pena que a maioria das seitas cristãs atuais tenha perdido esta visão monista viva e elevada da religião, perdendo-se quase sempre em questiúnculas de ritos e formas como os fariseus de outrora...

Huberto Rohden sugere escrever cada uma das quatro palavras – Filosofia, Psicologia, Yoga e Religião – junto a uma perna da letra maiúscula H de Homem, lembrando que: a) Filosofia quer dizer “amor à sabedoria”; b) Psicologia é a “ciência da alma”; c) Yoga significa “união” ou “re-unificação”; d) Religião, do latim “religio”, quer dizer “re-ligação”. E conclui: “o homem que possui amor à sabedoria, que conhece a sua alma, o seu verdadeiro Eu, inicia um processo de re-unificação ou de re-ligação; restabelece uma ligação entre o seu indivíduo finito e Universalidade Infinita; reata as relações des-atadas entre a creatura e o Creador, entre o efeito e a Causa, entre o egosciente e o Onisciente, entre a parte individual e o Todo Universal” (In “Setas para o Infinito”, pág. 51 e 52). QUANTA SABEDORIA!...     

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka