QUEM É O HOMEM?

Conhecei bem a Imagem Verdadeira do homem: o homem é Espírito, é Vida, é Imortalidade.
Deus é a Fonte Luminosa do homem e o homem é luz emanada de Deus. Não existe fonte luminosa sem luz, nem existe luz sem fonte luminosa. Assim como luz e fonte luminosa são um só corpo, Deus e homem são um só corpo.
Porque Deus é Espírito, o homem também é Espírito. Porque Deus é Amor, o homem também é Amor. Porque Deus é Sabedoria, o homem também é Sabedoria.
O Espírito não é peculiar à matéria, o Amor não é peculiar à matéria, a Sabedoria não é peculiar à matéria.
Portanto, o homem, que é Espírito, que é Amor, que é Sabedoria, nada tem a ver com a matéria.

(Trecho da "Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade", revelada ao Prof. Masaharu Taniguchi).

quinta-feira, dezembro 31, 2009

O NINHO E O PALÁCIO

Construo para ti o acalentado ninho,
lar aconchegante, casinha sossegada
como a tranqüilidade do meu ritual sozinho
na meditação, a cada madrugada,
de que discordas por não ser o teu caminho.

Construo um enorme palácio, de seguida,
com lustres brilhantes como a minha luz,
de múltiplas salas em que te acharás perdida,
porque realmente o que mais te seduz
é um passado que te mantém bem rendida.

Em volta, também, um grande muro vou construir
que só se atravessará por um alto portão,
para que não te perturbes com qualquer cão a ganir
e não sejas vencida por não saberes dizer não.
É tudo isto, assim, a construção que dôo ao teu porvir.

Finalmente, ao portão, termino a minha obra,
cavo uma cova bem úmida e funda
onde enterrarás o meu que na tua mente sobra:
o que da minha alma estes versos inunda,
a chama deste amor, cujo calor já soçobra!...



Lúcio Huambo
Angra do Heroísmo, 30/12/2009.


O PODER DE DESCARTAR


Não poderia haver um melhor tema do que este para dar as boas vindas ao novo ano de 2010. Passagem do ano sempre é uma época propícia para fazer um balanço do que passou e rever o nosso projeto de vida, principalmente, para o ano que se avizinha.

No meio da manhã, desci à cidade baixa, o centro comercial citadino de Angra do Heroísmo, para comprar umas lembranças para os amigos que acompanham a minha viagem à distância. Além dos ditos souvenires, também, comprei um chapéu para cumprimentar o 2010, como podem ver nas fotos. No restaurante Bom Garfo, à falta da saudosa garoupa, optei por uma boca negra – peixe dos mares dos Açores – grelhada diretamente sobre o carvão, acompanhada por meia garrafa (375ml) de Charneco (maduro tinto alentejano) e seguida de baba de camelo – sobremesa que não comia há mais de 20 anos. Na hora do cafezinho, o garçom ofereceu-se para fotografar-me e desejou-me "bom ano". Em outros lugares, ouvi desejar "boas entradas", o que no Brasil pode ser muito mal interpretado. Como dizia a minha avó materna: "cada roca com seu fuso e cada terra com seu uso".

Após a refeição retemperadora de energias, refleti demoradamente sobre o que de bom e de mau me aconteceu em 2009. Concluí que até o que num primeiro relance poderia conotar como ruim poderia ser interpretado positivamente porque aperfeiçoou a minha aprendizagem sobre a vida. Realmente, a vida é um jogo e, quando jogamos, só ganhamos ou perdemos; isso faz parte naturalmente de qualquer jogo. Nunca fracassamos! Fracassar é desistir, portanto, se persistimos em jogar a vida, então, nunca fracassamos. As perdas só servem para aprendermos a jogar melhor da próxima vez. O passado ruim que não serve para aperfeiçoarmos o nosso jogo da vida no presente deve ser simplesmente descartado.

Também, costumo usar uma analogia em que comparo a vida a uma viagem de carro. Olhar o retrovisor é olhar o passado; na viagem de carro só olhamos o retrovisor como forma de orientação da progressão em frente, até porque o fazemos com os olhos voltados para frente. Assim, deve ser no nosso dia-a-dia: olhar o passado apenas para orientação da nossa caminhada em frente, identificando possíveis erros e riscos para evitar eventuais perigos no presente e no futuro. É aqui que cabe o aperfeiçoamento do nosso poder divino de descartar ou empacotar.

Reza a História que Júlio César, ao chegar às Ilhas Britânicas à frente das legiões romanas, deu uma ordem peremptória: "queimem os navios!". Ele sabia que aqueles navios só tinham servido para fazer a travessia do estreito de Dover e que, se continuassem ancorados na costa da Inglaterra, seriam um convite permanente à retirada nas mentes dos seus soldados, no caso das batalhas de conquista se tornassem muito árduas. Como grande líder, Júlio César conhecia muito bem a lei mental que diz: "o que se reconhece na mente, manifesta-se infalivelmente". Como ele pensou para frente, desde o desembarque, pode proclamar: "cheguei, vi e venci!". Se admitirmos a derrota na mente, no início dum novo empreendimento, certamente, ela tende a concretizar-se... Assim, se tivermos uma interpretação negativa do passado, o espírito de negatividade animará continuamente o presente e o futuro, portanto, colheremos frutos negativos dos nossos pensamentos, porque "os pensamentos têm filhos". Portanto, ao fazermos planos para o presente e o futuro, devemos ser previdentes, mas não devemos admitir a possibilidade de retroceder, porque "o passado só se repete como farsa".

Se há algo do passado que nos atormenta, relembremos sucessivamente a frase mestra: "queime a ponte que acabou de atravessar!".

O verdadeiro poder divino de descartar engloba findar com todos os pensamentos destrutivos e libertar-se de todas as cargas e preocupações negativas. Assim, devemos classificar tudo o que do passado se mostra inútil para sermos felizes no presente, descartá-lo e permanecer constantemente livre. Não devemos buscar amarras do passado que impeçam o nosso autodesenvolvimento no presente.

Também, há pessoas saudosistas que vivem a relembrar continuamente as ocorrências boas do passado e olvidam que o presente pode até ser melhor, ainda. Não devemos fazer do passado o nosso presente...

A mudança de vida não é mais do que simplesmente uma nova forma de pensar, pois "com os nossos pensamentos criamos o mundo". Os pensamentos puros e positivos para frente são as melhores sementes para enterrar o passado. Quanto melhores forem as sementes, obviamente, melhores serão os frutos. A maior violência contra nós é a que nós próprios cometemos quando entulhamos a nossa mente de pensamentos negativos como resultado dos nossos traumas adquiridos no passado.

Logo, é muito útil analisar a vida desde a infância e verificar o que ocorreu de errado conosco unicamente para localizar a raiz dos nossos problemas que se repetem, de modo a interrompê-los e erradicá-los definitivamente. A cura psicanalítica ou a cura metafísica podem ajudar e muito.

Agora, a melhor maneira de evitar que os maus pensamentos tomem conta de nós é não contemplá-los na nossa mente. Portanto, ao acender-se o sinal de alerta do aparecimento de maus pensamentos na nossa cabeça ou no ambiente que nos rodeia, devemos pôr em marcha o nosso poder de descartar ou reciclar. Reciclar é transformar o que é identificado como negativo em positivo. É ver o lado positivo naquilo que parece inicialmente adverso.

O poder de descartar só depende de treinamento do hábito de pensar e interpretar tudo positivamente. É uma nova maneira de encarar as situações, principalmente, as mais desafiadoras. É uma expansão da consciência sob o comando da superconsciência ou sabedoria do nosso EU verdadeiro ou divino.

No início de um novo ano, aprendamos a descartar as reminiscências que nos levam de volta ao passado, para que possamos usufruir intensamente o presente e enfrentar o futuro sem qualquer tipo de angústia.

Amigos(as): Feliz Passagem de Ano e Próspero 2010!

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

FANTASIA


Amor meu, que meu nunca quiseste ser,
ao menos, chama-me uma só vez. E eu vou achar
que nas voltas que me procuram render
tu para mim queres um dia voltar,
embora eu nunca, nunca mais, queira te receber...

Vai ser a volta total da minha fantasia
aos tempos em que aos teus pés me derramava
com a alma dócil vertida em poesia;
apesar disso, nada meu te encantava
e, hoje, sou eu que não te escrevo como escrevia.

Foge-me aos empurrões o senso e o sentimento,
cada vez mais, de ti para sempre afastados,
embora nas sombras de um breve momento
eu mantenha algo triste e arrastado
na continuidade imperturbável do meu contentamento.

É verdade que eu posso sempre mais,
muito mais, do que o mais que em mim desvendo,
porém, por ti se esgotaram de todo os meus ais
e, agora, a continuar o que sempre venho sendo,
serei sempre o homem que para ti me fiz demais.

Seja bem-vinda a minha constante alegria
porque a tristeza nunca me quis o ânimo matar;
ela assumiu em sua falta de sintonia
a essência divina que em mim se fez criar:
o que sempre descubro na minha universal harmonia!


Lúcio Huambo
Angra do Heroísmo, 29/12/2009.

O PODER DE TOLERAR

Dos oito poderes divinos que podemos exercer e desenvolver, por meio do autoconhecimento do EU verdadeiro, o poder de tolerar é certamente dos mais necessários ao convívio com os nossos semelhantes, diariamente.

É pelo domínio do poder de tolerar que mantemos a nossa mente imperturbável perante situações que teriam a potencialidade de nos irritar e aborrecer. Quiçá, a tolerância em condições adversas é a principal base de uma personalidade carismática, ou seja, sendo tolerantes, temos a capacidade de atrair todos na nossa direção, uns por atração de semelhança e outros – não partidários das nossas ideias e ideais – por pura admiração e respeito.

O poder divino de tolerar nos indica, sobretudo, como encarar as intenções malévolas dos críticos mais ferozes. Ele faz-nos sempre recordar a analogia de que “ninguém joga pedras numa árvore sem frutos” ou “ninguém joga pedras em árvore seca”. Se granjeamos a aprovação de todo o mundo, talvez seja a hora de refletirmos na máxima de Nelson Rodrigues: “toda a unanimidade é burra”...

O primeiro passo da tolerância deve ser em relação a si próprio. Aqui, me lembro duma entrevista com um dos maiores cirurgiões plásticos do mundo – Ivo Pitanguy – que ao ser indagado por que ainda não tinha sido submetido a qualquer cirurgia plástica estética, respondeu simplesmente: “eu me tolero”. Realmente, há pessoas que não toleram em si os sinais de envelhecimento e, pior ainda, há os que não toleram os eventuais erros que cometeram na vivência passada. São ocorrências vividas que são identificadas posteriormente como erros, mas que não tinham condições de ter-se desenrolado de maneira diferente, face aos valores e crenças que animavam a(s) pessoa(s) envolvida(s), portanto, a análise não deve ser feita fora do seu contexto específico. Assim, o exercício e desenvolvimento do poder de tolerar iniciam exatamente pelo saber perdoar-se.

Portanto, a habilidade básica para desenvolver o poder de tolerar é a pureza do sentimento de perdão. O caminho contrário é o do ressentimento, que leva ao acumular de culpas e culpados no sótão mais bolorento das nossas memórias. É pelo sentimento de perdão que passamos adiante dos acontecimentos passados que nos feriram. É por ele que ajuizamos as pessoas equilibradamente, de acordo com as suas limitações e potencialidades. Se eu tiver a capacidade de passar por cima do que foi ruim na minha vida, ou seja, “queimar a ponte que acabei de atravessar”burn the bridge behind you – então, nunca vou saber utilizar o meu poder divino de tolerar.

Quando alcançamos o poder de tolerância completa não deixamos os nossos sentimentos serem feridos por declarações ou atitudes de outras pessoas. Realmente, eu não posso evitar que outros digam ou façam comigo o que bem entenderem, pois isso depende do mero exercício da liberdade de cada um, contudo eu posso escolher ser magoado ou não por aquilo que eles fazem. A pessoa tolerante cultiva a humildade que desvia o molestamento por insultos e ações potencialmente nocivas de outrem; esta humildade leva ao amor e compreensão em relação às reais necessidades e limitações dos outros, em termos do seu desenvolvimento espiritual e material.

É bom enfatizar que a tolerância não nos leva à conversão em “saco de pancadas” para a livre vazão da agressividade e exploração dos outros. A verdadeira tolerância, baseada no EU verdadeiro, antes, passa sempre pela elevação do amor próprio e auto-estima. Tolerar não é calar e engolir sapos. É, sim, muitas vezes, o exercício equilibrado da discordância sem conflito, portanto, sob orientação de outra qualidade divina: a sabedoria. Algumas vezes, se ficamos calados quando discordamos , enchemos como um balão e acabamos por explodir. Portanto, devemos praticar a discordância com tolerância. Este é um dos nossos maiores desafios no exercício do poder divino de tolerar.

Como foi dito anteriormente, o caminho contrário ao da tolerância é o do ressentimento. O único prejudicado pelo ressentimento é o próprio ressentido e não a pessoa a quem ele se dirige. A pessoa ressentida é sempre uma vítima de tudo e de todos. Devido à sua própria intolerância, a pessoa ressentida é uma eterna incompreendida no seu próprio entendimento, por isso, tende a ficar deprimida, porque é essencialmente egoísta e sem autoconfiança.

Efetivamente, é o poder de tolerar que permite aceitar todos como iguais, com pontos fortes e fracos, na visão limitada de cada um que analisa. Só pelo aprofundamento do poder de tolerar conseguimos transformar um inimigo em amigo. Uma pessoa autenticamente tolerante dificilmente tem inimigos. Se os tem, não é por sua própria iniciativa. Talvez, é pela inveja de outrem.

Finalmente, devo destacar que o maior benefício do desenvolvimento do poder divino de tolerar é fazer-nos pairar bem acima dos problemas e convulsões ao nosso redor. Ela leva-nos à tranqüilidade de ver um significado e propósito positivo em tudo e encontrar sempre a solução mais sustentável para cada situação; mais uma vez, ensina-nos a cumprir a máxima divisa: “ver sempre as partes positivas das pessoas, coisas e fatos, e nunca as suas partes negativas”.

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

O MAR EU


Oh mar alto, oh mar fundo,
oh mar bravo, oh mar sem fim,
ao beijares as terras que há no mundo,
abençoas o que de mais profundo
beijas carinhosamente dentro, em mim:
a minha altivez de menino,
em toda a sua candura,
a profunda liberdade, sem destino,
nos meus bravos roteiros de ventura...
Em ti, volto a me inspirar;
no cheiro da tua maresia,
na minha leveza de pensar
a pairar sobre ti, em ventania.
Ah, como é bonito tudo isso nesta hora
que um nobre sentimento em mim faz voltar –
– o saber que posso agora,
enfim,
voltar a ter em mim,
os belos sonhos que na minh’ alma semeaste, outrora:
meus sonhos de sete partidas
nas viagens que ao mundo dei,
a celebrar amores que transformam vidas,
exatamente, como nos sonhos que por ti sonhei!


Lúcio Huambo
Angra do Heroísmo, 29/12/2009.

terça-feira, dezembro 29, 2009

O PODER DE AJUIZAR


Ajuizar é avaliar e julgar com base em pleno conhecimento e entendimento. Conhecimento e entendimento de todas as partes e detalhes de um assunto ou questão são absolutamente imprescindíveis para o seu ajuizamento ou julgamento com imparcialidade ou isenção. Porém, conhecimento e entendimento não bastam.

É necessário que aquele que julga ou ajuíza tenha certas qualidades pessoais, por exemplo, compromisso com a verdade e honestidade. Também, quem julga não pode ser vulnerável emocionalmente, nem influenciável intelectualmente. Assim, todo o bom julgamento se assenta em estabilidade emocional e firmeza ou solidez intelectual, caso contrário, quem julga se comporta como uma biruta de aeroporto que mudará a direção do seu juízo conforme a direção dos ventos das emoções e vontades alheias ou da atmosfera reinante à sua volta.

O julgamento preciso e isento se baseia no EU e nos leva sempre a seguir em frente como um mestre seguro ou criança despreocupada, colocando sempre em prática o fruto do ajuizamento. O poder de ajuizar apoiado no EU se dirige essencialmente a nós próprios, para nos corrigir internamente e nos levar ao autodesenvolvimento contínuo.

Contudo, quando o poder de julgar se baseia no ego, ele é quase sempre dirigido de modo arrogante aos outros e às circunstâncias, para nos isentar da responsabilidade pelos nossos erros e perdas. O ajuizamento egoístico leva à culpabilização, geralmente, dos outros e das situações com o intuito de livrar a nossa pele. Leva-nos a uma das maiores doenças do insucesso: a “desculpite”. Outras vezes, o julgamento baseado no ego é dirigido contra nós próprios, ou seja, conduz de forma masoquista à autopunição.

O poder divino de ajuizar é baseado numa atitude mental desapegada. Por meio dele, avaliamos a qualidade real dos nossos próprios pensamentos, palavras e atitudes. Não nos leva a sermos juízes severos dos outros, nem de nós próprios. Com ele encorajamos a nós e aos outros a obter vitórias importantes e irreversíveis sobre erros e fraquezas, visando o crescimento interno e externo, ou seja, espiritual e material.

Ao assumirmos o nosso poder divino de ajuizar, portanto, baseado no EU verdadeiro, nos tornamos autenticamente justos e livres. Quando não dependemos da aprovação dos outros para julgar cada situação ou problema e decidir com equilíbrio sobre o caminho a seguir, auferindo como conseqüência um sentimento profundo de satisfação, então, subimos degrau a degrau a escala da evolução ética e vivemos em harmonia com os outros e o ambiente sem qualquer sinal de submissão ou subserviência. O justo nunca é egoísta nem generoso. Ele até pode ser altruísta, mas não generoso.

O egoísta é o que se preocupa em receber muito e dar pouco. O generoso vive para dar muito e receber pouco. Ambos são desequilibrados. Os egoístas e generosos são pessoas dependentes emocionalmente. Normalmente, um procura o outro, pois dependem um do outro. O generoso costuma procurar um egoísta para exercer a sua generosidade, porque essa condição enganosamente o faz sentir-se superior e controlador da situação. O egoísta precisa encontrar um generoso porque não é auto-suficiente, isto é, é um carente emocional ou material. A generosidade é até um crescimento ético relativamente ao egoísmo, todavia não leva ao crescimento espiritual e material. O altruísmo é absolutamente diferente; o altruísta doa desinteressadamente, muitas vezes, de forma anônima, a alguém bastante desfavorecido com a única intenção de libertar o necessitado de uma situação de humilhação para elevá-lo a uma condição de dignidade humana. Pelo contrário, o generoso tende a ligar-se a um egoísta e não a uma pessoa em condição desfavorável de humanidade.

Tanto egoístas como generosos são imaturos emocionalmente. O egoísta é o maior dos imaturos. Ele age como criança mimada. Por vezes, assume ares de gabarolas, gosta de falar das suas conquistas – geralmente, nada parecidas com as que ele narra – para fingir força e autonomia, visando dominar os outros, as situações e os ambientes. Pode até chorar para chantagear e mexer com o emocional de quem quer dominar e conquistar. Outras vezes, assume uma postura de intimidação e mentira para dominar pela violência ou, também, chantagem emocional. Na relação entre uma pessoa egoísta e uma generosa, a egoísta explora sem qualquer sentimento de culpa, seja pela gabarolice, intimidação ou chantagem sentimental, e sabe muito bem que a generosa sente culpa e muita. Aqui, reside a principal chave da dependência mútua: culpabilização versus autopunição.

Se você, leitor ou leitora, amigo ou amiga, quiser ser justo(a), deve estar bem atento(a) se está num relacionamento em que dá e recebe em igual medida, ou seja, reciprocidade é essencial. Parafraseando Vinicius Morais, quando se referiu à beleza, agora, adaptando para a justiça: perdoem-me as pessoas egoístas e generosas, mas reciprocidade é fundamental!... O exercício do poder divino de ajuizar sempre nos leva a relacionamentos com reciprocidade e equilíbrio.

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

AURORA


De madrugada, após a meditação,
olho o céu límpido da aurora,
dissipam-se as nuvens da escuridão;
sol, céu, árvores, pássaros me abençoam nesta hora
e pulsa em mim a Vida renovada.
É a bênção suplicada,
é um canto que irrompe dócil na mente,
é a harmonia que se sente,
a fonte de água viva,
tudo me diz em voz bem altiva:
segue em frente!
Mais adiante!
Segue sempre avante!

Lúcio Huambo
Angra do Heroísmo, 28/12/2009.

AMOR DESIGUAL


Tenho um amor desigual
de inúmeras facetas,
um amor plural
de mil metas.

É um amor de amarras e correntes,
um amor também feito libertação,
o amor de fortes torrentes
que tudo levam de arrastão.

Fraco e forte,
curto e longo,
vida e morte...

Vida com sorte,
morte em que me alongo,
fraqueza e força que me dão um norte...


Lúcio Huambo
Angra do Heroísmo, 27/12/2009.


O PODER DE DISCERNIR

Há 35 anos, em Angola, fui um belo dia com um grupo de amigos africanos garimpar diamantes, numa região onde praticamente não se falava da sua existência. Passamos um domingo inteiro a lavar e peneirar areia, em vários trechos de um riacho. Quase no fim do dia, veio o grito de “eureca”; apareceu uma pedra com o diâmetro próximo de um dedo mindinho, de brilho proeminente relativamente às restantes partículas minerais. Para todos os que trabalharam afanosamente, desde manhã cedo, era diamante de certeza. Hoje, sabemos que na mesma região do Quitemo os diamantes são explorados em profusão.

Regressado a casa, levei ao meu pai a pedra supostamente preciosa. Soube depois que ele a levou a um “amigo” para que este consultasse um especialista para discernir se a jóia era verdadeira ou falsa. Passado muito tempo, veio a resposta: era “falsa”. Claro, a resposta veio, mas a pedra não voltou com a resposta. Assim, o meu poder de discernir entre pedras e amigos me leva hoje a afirmar categoricamente: o “amigo” do meu pai era falso e a pedra era verdadeiramente um diamante.

Assim, o poder de discernir nos leva a discriminar ou diferenciar entre o real e a imitação, a realidade e a ilusão, o que é existente e o que parece existente, mas é inexistente. O desenvolvimento deste poder divino nos dá a sabedoria para tomar decisões com absoluta autoconfiança, ou seja, com precisão e a certeza de estarmos a decidir de modo adequado às circunstâncias e oportunidades que favorecerão o nosso autodesenvolvimento ou auto-realização com consistência.

Quando ficamos bem exercitados e educados no poder de discernir, com uma mente bem clara e limpa, então, vivemos com maior estabilidade emocional e satisfação, porque passa-nos a ser fácil distinguir entre verdade real e verdade aparente, entre coisas de valor perene e de valor passageiro, entre o que é profundo e subtil e o que é superficial e frívolo.

A ilusão sempre nos surge muito decorada e sedutora, porém esses disfarces podem ser desmascarados intuitivamente pelo poder de discernir. Essa intuição nos levará a entender e decidir o que devemos fazer em cada momento preciso.

O poder de discernir, por nos levar a intuir além das armadilhas da aparência, ensina-nos a aceitar e compreender cada situação que não podemos controlar sozinhos; essa aceitação é feita em estado de paz e harmonia, portanto, sem revoltas internas ou externas. O poder de discernir evoluído nos leva ao total domínio da aversão e da raiva, isto é, ao autocontrole confiante. Em conseqüência, adquirimos um ponto de vista positivo sobre todas as pessoas, coisas e fatos, vendo sempre as suas partes positivas e nunca as negativas, mesmo que, à primeira vista, se afigurem como “prejuízo” pessoal.

O poder de discernir nos torna auto-centrados, ou seja, concentrados e perspicazes, na busca contínua da verdade e afastamento da falsidade; e, também, na perseguição pertinaz das nossas metas de autoconhecimento e auto-educação, que nos levam a uma prosperidade crescente.

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

RITUAL IMPERMANENTE


Mau tempo no canal,
de ondas alterosas,
aqui vertido no impermanente ritual
de meus versos e prosas.

Tudo em minha vida é desigual,
mesmo que feito de flores e rosas,
nem tudo é bem, nem mal,
misturando-se as perdas às feições amorosas.

Pairo suave sobre as ondas que me impelem,
sumamente, indiferente às coisas que me repelem:
situações e pessoas que são o meu reflexo.

Ao amor e paixão renovo os meus votos,
desde que me revejo, nos temos mais remotos,
para que o sentido de viver assuma em mim algum nexo.


Lúcio Huambo
Angra do Heroísmo, 27/12/2009.

OITO PODERES

Muitos não crêem em si mesmos, embora sejam dotados dum potencial infinito para crescer. Assumir esta consciência só é possível pelo reconhecimento da nossa essência divina ou espiritual; claro, para os materialistas, esta é uma barreira quase intransponível, pois se lhes apresenta inacessível o senso de transcendência que anima a esmagadora maioria dos seres humanos. Esta é uma verdade insofismável, ou seja, o senso de transcendência que anima a maioria dos seres humanos, como um sentimento natural, é a maior prova de que temos uma missão a desempenhar na nossa existência terrena e que somos destinados a evoluir continuamente, embora desconheçamos o modo como isto ocorrerá.

As explicações ou receitas são várias, sobre os modos de buscar uma evolução espiritual, por vezes, assumindo feições dogmáticas e preconceituosas, mas as certezas só podem ser assumidas pela visão interior individual. Por isso, o Mestre dos Mestres disse com muita propriedade: “há os que têm olhos e não vêem e há os que têm ouvidos e não ouvem”. Portanto, não é a mera prática religiosa que poderá assegurar a evolução espiritual. Daí, falar-se em aprimorar o sexto sentido, que é interior ou da alma...

Ao assumirmos a nossa natureza essencialmente espiritual, ganhamos a consciência que a nossa alma encerra em si uma fonte inesgotável de respostas aos desafios mais difíceis. Ali, na profundeza do nosso Eu verdadeiro está o nosso potencial infinito para renascer vezes sem conta e crescer continuamente. Esse nosso potencial se expressa por seis atributos divinos: sabedoria, amor, vida, prosperidade, alegria e harmonia. A expressão destes nossos atributos divinos faz-se pelo exercício e treinamento dos oito poderes da alma:

  1. O poder de discernir;

  2. O poder de ajuizar;

  3. O poder de tolerar;

  4. O poder de descartar;

  5. O poder de cooperar;

  6. O poder de ajustar;

  7. O poder de introverter;

  8. O poder de enfrentar.

Em oito (8) posts que seguirão neste blog, será abordada esta temática, sendo um para cada poder. Por isso, agradeço antecipadamente a vossa leitura, estimados leitores, amigos e amigas.

Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

ASAS SOBRE NUVENS


Asas sobre nuvens de algodão
movem-me no vôo em que me lanço
em suave e eterna sucessão
a um breve passado sem avanço.

Certeza firme, sem adivinhação,
é este meu voejar seguro e manso,
contínuo objetivo movido por intuição,
caminhar ascendente de que não me canso.

Vôo tranqüilo em que me realizo,
sonho supremo que idealizo,
a minha viagem ao Porvir.

Nesta caminhada, cada meta finalizo
e brota-me na face o franco sorriso,
porque sinto vibrante o perene Progredir.


Lúcio Huambo
Angra do Heroísmo, 27/12/2009.

terça-feira, dezembro 22, 2009

NOSSA VIDA, NOSSA FESTA


O Amor saiu a dançar
de braço dado com a Harmonia
e para a festa sempre durar,
também, apareceu a Alegria.

A animação rompeu a madrugada
porque veio a Vida e a Felicidade,
com a Alma tão animada,
que no fim se juntou a Prosperidade.

Finalmente a Sabedoria se apresentou,
fez tudo o que é Bem perdurar,
pois, o melhor que o Universo criou
foi feito para sempre nos vivificar.

Lúcio Huambo
Florianópolis, 22/12/2009, 9h25.

QUEM É IMPORTANTE?


Só consideramos importante
quem nos dá importância!
Não deve ser a solidão sufocante,
a ânsia
de aprovação,
ou o medo da rejeição,
que nos deve amolecer o coração.
Quem nos diz NÃO
que outro eco merece,
se nos esquece,
senão,
o desprezo e ignorância,
por não nos dar a devida importância?
Esta é a Lei Universal:
"semelhante atrai semelhante",
e não nos pode fazer qualquer mal
quem para nós não é importante!

Lúcio Huambo
De Floripa para Sampa, avião da Gol, 22/12/2009, 11h50.

domingo, dezembro 20, 2009

REENCONTRO


Há sempre uma mensagem

que vale a pena,

carregada de perenidade,

num reencontro.

Há sempre uma mensagem,

de eternidade,

que não é miragem

porque fica

e modifica,

após um reencontro.

Vale a pena

porque é perene,

e é perene

porque fica

e modifica

o cerne

do que plantamos

e semeamos,

muito antes

da simplicidade

e perenidade

dum reencontro!


Lúcio Huambo

Porto, 07/1986

sábado, dezembro 19, 2009

VISÃO CLARA

Vi claramente

visto

o que eu avisto em minha mente...

O que a minha Alma

numa doce calma,

sutilmente

pressente:

o que eu doei

e não voltou;

o que eu falei

e não ecoou;

o que eu escrevi como lei

e não gravou;

o que eu semeei

e não germinou;

o que eu reguei

e não perdurou...

Lúcio Huambo

Blumenau, 17/12/2009.

O QUE SINTO


O que o meu coração

intimamente

sente

o meu olhar parado na solidão

nunca desmente.

Sou EU

autenticamente,

inteiramente,

num relance que se perdeu:

é o que a minha Alma toda projeta

no sentimento que me afeta!...


Lúcio Huambo

Blumenau, 17/12/2009.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

DESISTIR


É fácil desistir,

parar,

de braços cruzados,

a ver o mundo andar

e depois carpir

a sorte que não veio...

E tudo porque o receio

de resistir

não encontrou outro meio

senão desistir!...

É fácil desistir,

parar,

de braços cruzados,

a ver o mundo andar,

mas é penoso aceitar

e confessar

que a sorte só não veio

porque, bem dentro em nosso seio,

faltou o ânimo,

a coragem,

para teimar

e continuar,

quando seria mais cômodo

não resistir

e desistir!...

Vale a pena teimar,

quando a teimosia é convicção!...

Vale a pena perseverar,

quando a perseverança é sobrevivência!...

Acreditar é à morte dizer não,

sobreviver é dizer sim à existência!...


Lúcio Huambo

Porto Alegre, 03/07/1987

quinta-feira, dezembro 17, 2009

SIM E NÃO


Quantas vezes é
penoso,
difícil,
mas imperioso,
dizer NÃO;
quando mais seria
natural,
fácil,
mesmo providencial,
dizer SIM...
E é assim,
quando um senão
desfaz nossos sonhos de ventura
e nos deixa, enfim,
como galardão,
a amargura,
a frustração,...
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Quantas vezes eu não desejaria
dizer NÃO,
embora sabendo que nunca conseguiria
dizer SIM;
porque uma afirmação
não é só negar a negação,
mas assumir convictamente
o que se sente interiormente,
lá no fundo do coração,
onde o SIM nunca é NÃO!...
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Quando por fim,
à uma,
com convicção,
meu falar
e meu pensar
forem SIM – SIM
e NÃO – NÃO,
eu sonharei livremente
e meus sonhos, felizmente,
não mais serão
frustração,
amargura
e desventura!...
Serei todo libertação,
e mesmo que outros a chamem de loucura,
gozarei infinitamente
o que, por tempos, em minha mente
acumulei numa aventura,
tão futura,
de algum dia
sentir a alegria
de dizer Sim,
quando obrigado a dizer NÃO!...
Será um dia
de euforia,
esse, em que as musas cantarão
a minha libertação
do fatalismo de dizer NÃO,
quando, bem dentro em mim,
eu sempre quis, enfim,
dizer um altissonante SIM!

Lúcio Huambo

Porto Alegre, 11/08/1987