QUEM É O HOMEM?

Conhecei bem a Imagem Verdadeira do homem: o homem é Espírito, é Vida, é Imortalidade.
Deus é a Fonte Luminosa do homem e o homem é luz emanada de Deus. Não existe fonte luminosa sem luz, nem existe luz sem fonte luminosa. Assim como luz e fonte luminosa são um só corpo, Deus e homem são um só corpo.
Porque Deus é Espírito, o homem também é Espírito. Porque Deus é Amor, o homem também é Amor. Porque Deus é Sabedoria, o homem também é Sabedoria.
O Espírito não é peculiar à matéria, o Amor não é peculiar à matéria, a Sabedoria não é peculiar à matéria.
Portanto, o homem, que é Espírito, que é Amor, que é Sabedoria, nada tem a ver com a matéria.

(Trecho da "Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade", revelada ao Prof. Masaharu Taniguchi).

sábado, janeiro 29, 2011

A CONSTRUÇÃO DA REALIDADE PESSOAL


Logo após a publicação do ensaio “Realidade e Realidades” do último post, recebi imediatamente uma mensagem de um leitor amigo morador nos EUA com o seguinte comentário e questionamento: Muito bem.....!!! Qual o método mais fácil e eficiente?.    
O presente post visa abrir uma pequena fresta nesse imenso universo de possibilidades de construção da realidade pessoal mais em consonância com a nossa essência divina ou búdica interior.
Inquestionavelmente, a nossa experiência de vida pessoal é o produto da mente, do espírito, de pensamentos e sentimentos conscientes, e de pensamentos e sentimentos inconscientes. Tudo isto forma a realidade pessoal que conhecemos. Todavia, normalmente, nós estamos tão presos e envolvidos com os eventos físicos ou fenomênicos que compõem a nossa experiência de vida que quase sempre não fazemos distinção entre as ocorrências e realizações materiais e os pensamentos, expectativas e desejos que lhes deram origem. Quantas vezes confundimos os efeitos com as causas? Quantas vezes tratamos o sintoma e não a doença? Quantas vezes queremos resolver problemas pela remediação dos seus efeitos e não pela erradicação das suas causas?
Por exemplo, quando existem características negativas – aquelas que produzem resultados indesejáveis – presentes nos nossos pensamentos mais íntimos e habituais e elas se tornam verdadeiras barreiras entre nós e uma vida mais plena, é porque, na maioria das vezes, procuramos ignorá-las e insistimos em ver além delas sem removê-las definitivamente. Enquanto não forem reconhecidas e assumidas como impedimentos ao nosso desenvolvimento, elas nunca serão removidas ou erradicadas definitivamente.
Os obstáculos e dificuldades têm razão de existir na nossa vida. Existem como verdadeiros convites ao nosso autodesenvolvimento. Se eles nos pertencem verdadeiramente, é para descobrirmos as circunstâncias que estão por trás da sua existência. Este trabalho de descoberta pessoal é que leva ao nosso autodesenvolvimento e auto-realização, que é a principal missão da nossa vida.
Já li que o trabalho da mente humana é só 5% consciente e 95% subconsciente. Alguém disse que é como um iceberg que esconde 95% do seu volume abaixo do nível do mar e só aparece 5%. Porém, há outra analogia que acho muito interessante: a nossa mente é como um carro que é comandado por um pequeno instrumento, o volante, que representa precisamente o consciente, enquanto o resto do carro é o subconsciente. O volante tem o poder de conduzir o carro. O mesmo acontece com a nossa mente, isto é, a nossa vida é dominada em 95% pelo subconsciente – características positivas ou negativas acumuladas – porém, este pode ser dirigido e modificado por um trabalho cuidadoso dos nossos pensamentos conscientes, que têm o poder de identificar e remover as características negativas longamente acumuladas e acariciadas no subconsciente.
A verdade é que não mantemos como imaginamos uma familiaridade tão grande com o fluxo dos nossos pensamentos conscientes. Geralmente eles nos escapam como água por entre os dedos, carregando os nutrientes do nosso estado psíquico positivo ou, o que é pior, muitas vezes, transportam persistentemente a lama e o lixo que entopem os canais da criatividade que poderíamos usar para uma experiência de vida com maior sentido.
É o cuidadoso exame dos nossos pensamentos conscientes que nos diz muito sobre o estado da nossa mente interior, as nossas intenções e expectativas, o que nos levará a uma confrontação direta com os nossos problemas e desafios. O estudo dos nossos pensamentos e sentimentos desvendará o caminho que estamos tomando e o destino que ele nos proporcionará. Não existe outro método. Realmente, o que existe na nossa experiência física ou fenomênica, existe ou existiu primeiramente no campo dos nossos pensamentos e sentimentos.
Há alguns dias, no meio de uma caminhada de 16 km, detive-me por mais de uma hora junto a um dos faróis do canal de entrada dos portos de Itajaí e Navegantes. Fiquei maravilhado com a entrada de um grande navio cargueiro, a que correspondem três fotos que junto; pus-me a imaginar como o piloto conseguia conduzir com tamanha habilidade uma massa imensa flutuante com o simples comando de dois instrumentos relativamente tão pequenos como são o leme e a hélice. Assimilei que aquele navio enorme era a minha mente de potencialidades infinitas que também poderia ser comandada e propulsionada pela ínfima parte que eu posso manusear: os meus pensamentos e sentimentos conscientes.


Se 95% da nossa mente é subconsciente e só 5% consciente, há uma boa razão para a existência desta mente consciente, apesar de bem menor em comparação com o subconsciente. Isto significa que não estamos à mercê das diretrizes inconscientes, a menos que a gente consinta conscientemente. Assim, os nossos pensamentos, sentimentos e desejos presentes podem ser sempre usados para avaliar o nosso progresso no domínio mental. Se não gostamos da nossa experiência de vida atual, então, nós devemos trabalhar e mudar a natureza dos nossos pensamentos, sentimentos e desejos conscientes. Nós devemos alterar o tipo de mensagens que enviamos continuamente ao nosso corpo e ao ambiente que nos rodeia.
Cada pensamento tem um resultado. O mesmo tipo de pensamento repetido como hábito tem um efeito mais ou menos permanente. Quando gostamos deste efeito raramente nos detemos para examinar o pensamento. Contudo, quando experimentamos dificuldades, então, nos perguntamos sobre o que existe de errado conosco.
Na hora das dificuldades, quando tudo na vida parece andar para trás, podemos culpar os outros, o nosso passado, ou vidas passadas – se acreditamos na reencarnação. Até podemos responsabilizar Deus ou o diabo pelo que nos acontece de errado. Ou exclamamos simplesmente “É a vida!” e aceitamos as experiências negativas como parte necessária do nosso salário existencial. Por vezes, alcançamos um meio entendimento da nossa realidade pessoal e afirmamos: “Eu acredito que fui eu mesmo que causei estes maus resultados, mas não sou capaz de reverter este processo negativo...”.
Geralmente, não temos a convicção de que somos os criadores da nossa própria experiência de vida. Quanto mais cedo alcançarmos esta convicção, mais depressa alteramos radicalmente as condições que nos causam insatisfação ou mesmo infelicidade.
Ninguém tem o poder de nos forçar a pensar de uma maneira particularmente negativa. No passado, talvez, fomos ensinados a considerar as coisas de modo pessimista. Quiçá, aprendemos que o pessimismo é bem mais realista e previdente que o otimismo. Até mesmo nos disseram e acreditamos que o sofrimento enobrece e eleva a alma, é um caminho de libertação espiritual, um estágio elevado atingido por santos e poetas. Nada é mais distante da verdade do que esse paradigma distorcido.
O estado consciente das nanopartículas do cérebro e da mente do ser humano clama contra quaisquer ideias de limitação. Elas anseiam sem cessar por novas formas e experiências de expressão e realização do nosso potencial divino infinito. Até mesmo os átomos do nosso corpo físico buscam sem parar associar-se instintivamente em novas organizações e estruturas visando uma condição melhor de sobrevivência.
O ser humano é dotado de uma mente consciente para comandar e moldar a natureza, ou seja, expressar o seu poder criador. É o que a Bíblia diz já no seu primeiro livro: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que se movem pelo chão" (Gênesis 1:28). Na “Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade”, Masaharu Taniguchi nos assegura, a dado passo: “... Segundo a mudança da mente, livremente podeis modificar a vossa saúde e vosso ambiente”. Todas as aspirações mais profundas, motivações inconscientes, desejos e tendências inconfessáveis emergem sob a aprovação ou desaprovação e seguem a direção da mente consciente.
Só quando abdicamos das funções da mente consciente é que nos tornamos vítimas de experiências “negativas”. Só quando recusamos a nossa responsabilidade consciente é que ficamos à deriva e à disposição de acontecimentos que nos parecem sem controle.
Cumpre-me aqui fazer um alerta. Os livros de autoajuda e motivação positiva, embora quase sempre benéficos, normalmente não levam em consideração a natureza habitual dos sentimentos negativos, a sua repressão ou expressão agressiva. Os livros de autoajuda usualmente ignoram e varrem os sentimentos negativos para debaixo do tapete. Os autores da autoajuda dizem-nos para sermos positivos, bondosos, fortes, otimistas, plenos de alegria e entusiasmo, sem nos dizer o que fazer com o que nos atormenta no interior, nem algo como entender e quebrar o ciclo vicioso repetitivo que nos condiciona e amarra; não nos explicam como os pensamentos e sentimentos criam a nossa realidade pessoal.
Para realizar mudanças efetivas da realidade pessoal, é necessário considerar os aspectos multidimensionais do ser individual ou de cada personalidade. Embora existam leis gerais de interpretação do comportamento, a verdade é que cada pessoa precisa encontrar e seguir o seu próprio caminho, adaptando essas leis ou diretrizes às suas circunstâncias pessoais. Por isso, Ortega y Gasset afirmou: "o homem é o homem e a sua circunstância" e sem missão não há homem. Cada um tem a sua missão e circunstância e não há um padrão para todos os seres humanos.
Assim, é bom mentalizar que cada pessoa é autora do seu próprio destino. Se me falta saúde, eu posso remediá-la ou recuperá-la. Se as minhas relações interpessoais são insatisfatórias, eu posso melhorá-las. Se eu estou em estado de pobreza, eu posso sentir-me rodeado de abundância. Em suma, mesmo que tenha nascido doente ou pobre e que estas circunstâncias pareçam me subjugar, eu posso em maior ou menor grau melhorar a minha situação de vida.
Não significa que estejam dispensados esforço e determinação. Apenas, significa que cada um de nós tem o poder para modificar a natureza dos acontecimentos da vida, independentemente da sua posição, status, circunstâncias e condição física. Cada pessoa tem o controle da sua realidade pessoal.
Nós vemos e sentimos o que esperamos ver e sentir. O mundo, como o conhecemos, é uma pintura real, ou seja, uma materialização coletiva das expectativas individuais dos seres humanos. Quando participamos da elaboração dessa pintura, não precisamos ignorar ou reprimir os pensamentos e sentimentos que rotulamos de negativos. Temos a capacidade natural e os métodos para controlá-los e usá-los como instrumentos de criatividade e autodesenvolvimento. Pelo uso adequado da mente consciente podemos enriquecer a nossa experiência de vida ou realidade pessoal pela descoberta e eliminação das nossas características negativas; podemos refletir e entender como permitimos que algumas delas nos acompanhassem por um longo tempo de vida e como lidar com aquelas que muitas vezes parecem escapar ao nosso controle.
Este trabalho de autodesenvolvimento requer concentração e esforço. Ele é um grande desafio que implica uma grande expansão da consciência individual. Ele leva à mudança do mundo pessoal. Só temos que aprender a usar a nossa capacidade consciente para examinar a natureza dos nossos pensamentos e sentimentos; e, somente projetá-los externamente após merecerem a nossa concordância atenta.
Em próximos posts, serão abordados alguns métodos práticos ao alcance de todos, para a mudança dos aspectos desfavoráveis da experiência individual. Esses “aspectos desfavoráveis” são a única matéria-prima de trabalho, que poderá ser transformada completamente e submetida a uma melhoria contínua pelas faculdades criativas ou criadoras da mente consciente.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

REALIDADE E REALIDADES

Habitualmente nos focamos com muita precisão ou certeza naquilo que consideramos o nosso mundo “real”, mas existem muitas realidades. Mesmo no estado consciente, quando experimentamos mudanças, podemos perceber realidades alternativas, e todas estas realidades são a aparência que a Realidade assume sob certas condições fenomênicas.    
Efetivamente, na nossa vivência terrena normalmente apenas temos a percepção tri-dimensional do que recebemos da fonte da nossa vida e energia. Essa Realidade maior não pode ser contida pelo nosso eu físico ou fenomênico, embora flua continuamente através da nossa individualidade presente. É para esta nova Realidade que nos chama a atenção o Professor Masaharu Taniguchi, na Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade, no capítulo Matéria, no trecho que transcrevemos abaixo:
 Não tomeis por Realidade a matéria que percebeis através dos sentidos.
A matéria não é a Substância das coisas, não é Vida, não é Verdade; na matéria em si não existe inteligência, nem existe sensibilidade.
A matéria é afinal o “nada” e nela não existe qualidade inerente.
O que atribui qualidade à matéria é a mente, e somente ela.
Assim, a percepção espiritual que nos guia pode ser algo bastante diferente do pensamento que nos rege. Se quisermos explicar certos fenômenos extraordinários que estão além da interpretação científica, através de uma interpretação física literal, então, corremos o risco de impormos limites ao nosso autodesenvolvimento.
A origem e a evolução de cada personalidade individual são misteriosas e não algo aparente, em termos de evidências objetivas. Alargar as dimensões desse nosso mundo interior e dos conceitos que dele fazemos é o nosso maior desafio para o autodesenvolvimento e auto-realização, o que leva à satisfação interior ou senso de felicidade inesgotável.
Todos nós queremos lidar com maior eficiência e eficácia com os desafios externos e internos do dia-a-dia. Por isso, precisamos ter um cuidado especial com interpretações literais, para não corrermos o risco de limitarmos uma realidade multidimensional a um mundo tridimensional de evidências meramente factuais. Intuitivamente e emocionalmente, por vezes, conseguimos entender melhor uma realidade do que intelectualmente.
O mais interessante é que uma personalidade não exclusivamente focada na realidade aparente pode nos ajudar a viver neste mundo com maior intensidade e felicidade, pois assume que também existem outras realidades, além da que num dado momento possa se apresentar como negativa ou limitante. Está comprovado pela Psicologia que nós podemos mudar a nossa experiência de vida simplesmente pela alteração das crenças que temos sobre nós próprios e a nossa existência.
Quando começamos a observar experimentalmente as grandes dimensões internas de que emerge e condicionam a nossa vida por meio de métodos alternativos de percepção que podem ser usados não só para vislumbrar outros “mundos”, mas para obtermos ajuda para lidar mais eficientemente com este mundo fenomênico quotidiano, então, a nossa realidade pessoal se expande enormemente. Desenvolvem-se a criatividade e as habilidades físicas em áreas diversas e completamente novas.
Cada um de nós tem à sua disposição um potencial rico e inesgotável de criatividade e conhecimento de acordo com as suas habilidades e vocações, logo abaixo da superfície da consciência usual, ou seja, sob a cuidadosa guarda do subconsciente. Este potencial é uma parte da nossa herança, acessível a qualquer pessoa que se dedique a explorar as dimensões internas da sua mente. Por isso, podemos dizer que temos um potencial infinito para crescer.
É verdade que vivemos num mundo de eventos físicos, porém estes emergem das profundezas de um manancial interior de criatividade, por isso, em certo sentido, podemos afirmar que os fatos físicos ou fenomênicos são ficções internas que se tornam vívidas na nossa experiência de vida. Esta conclusão pode ser aplicada a todos os fatos.
Os novos conceitos sobre a Realidade que aqui se apresentam mexem e desafiam muitas ideias e crenças que temos sustentado comumente. Até podem ser contrários a muitos dogmas sociais, científicos e religiosos. Eles nos dizem categoricamente que somos nós próprios que criamos a nossa realidade pessoal através das crenças conscientes sobre nós mesmos, os outros e o mundo. Assumindo este conceito, constatamos que o nosso “Foco de Poder” está no presente, não no passado desta vida ou de outra qualquer. Este novo conceito realça que temos uma capacidade individual para a ação consciente realizadora capaz de enfrentar qualquer dificuldade ou desafio na vida. A mensagem central é: não estamos à mercê das ordens incontroláveis do subconsciente, mas podemos sondar as infinitas dimensões do potencial que nele está alojado para sermos autores conscientes do nosso destino. A mente consciente pode dirigir ou moldar a atividade inconsciente e comandar o potencial infinito do EU interior.
Em suma, está ao nosso alcance realizar o ideal bíblico de sermos a “imagem e semelhança de Deus” pelo desenvolvimento da capacidade de moldarmos a nossa experiência de vida pela expressão de pensamentos e sentimentos que se tornam cada vez mais conformes com a nossa essência divina. Por isso, Jesus Cristo afirmou: “vós sois deuses” e “o Reino de Deus está dentro de vós”!    
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.