QUEM É O HOMEM?

Conhecei bem a Imagem Verdadeira do homem: o homem é Espírito, é Vida, é Imortalidade.
Deus é a Fonte Luminosa do homem e o homem é luz emanada de Deus. Não existe fonte luminosa sem luz, nem existe luz sem fonte luminosa. Assim como luz e fonte luminosa são um só corpo, Deus e homem são um só corpo.
Porque Deus é Espírito, o homem também é Espírito. Porque Deus é Amor, o homem também é Amor. Porque Deus é Sabedoria, o homem também é Sabedoria.
O Espírito não é peculiar à matéria, o Amor não é peculiar à matéria, a Sabedoria não é peculiar à matéria.
Portanto, o homem, que é Espírito, que é Amor, que é Sabedoria, nada tem a ver com a matéria.

(Trecho da "Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade", revelada ao Prof. Masaharu Taniguchi).

segunda-feira, maio 12, 2014

SOLIDARIEDADE


As notícias diárias da nossa pacata cidade de Blumenau, neste Estado do Sul do Brasil que gostamos de chamar de “Santa e Bela Catarina”, ultimamente, me tem deixado bem confuso e apreensivo. Recentemente, aqui, na cidade que escolhi há 26 anos para morar, num prazo de um mês, houve dois atropelamentos com óbito de duas senhoras septuagenárias na faixa de segurança para a travessia de pedestres por dois motoristas irresponsáveis, um jovem de moto e um idoso de 83 anos de carro. No sul do país, um médico é suspeito de ter parte ativa no homicídio do seu próprio filho de onze anos, com colaboração da sua namorada enfermeira. Uma senhora no sudeste brasileiro foi caluniada levianamente na internet de promover o rapto e a morte de crianças em atos de magia negra e, sem qualquer investigação para comprovação da sua inocência, foi sumariamente linchada por uma multidão de vizinhos enfurecidos, deixando dois filhos órfãos, sem ter havido qualquer prisão dos covardes caluniadores; um dos linchadores, preso após identificação por fotos de câmeras de vigilância pública, alegou em sua defesa: “eu não sabia que ela era inocente”... Quer dizer que se ela fosse culpada poderia ser morta por linchamento, em vez de ser punida legalmente por um julgamento judicial devidamente fundamentado em inquérito policial e exercício do legítimo direito de defesa? Estamos numa sociedade civilizada, com um estado de direito democrático, ou num país orientado pelo mais absoluto primitivismo selvagem do “olho por olho e dente por dente”? Porque é que as estatísticas de 2013 colocam o Brasil como o espaço onde ocorrem 10% dos homicídios do mundo? O mundo só tem dez países totalizando 2 bilhões de habitantes?    
Ainda mais, caros leitores: porque se assiste a esta crescente falta de solidariedade, no Brasil, tão propagado como um país afável e de brandos costumes? Ou melhor que tipo de solidariedade é necessário incentivar no nosso país?
Então, vamos rever alguns conceitos sobre o que é e deve ser a solidariedade. Para Sigmund Freud, a solidariedade é um sentimento de espontânea prestatividade diante de um outro que é próximo de nós. Assim, trata-se de um sentimento desinteressado de ajuda ao próximo baseado na identificação mútua. 
Para Adam Smith, conhecido como pai do capitalismo competitivo, a solidariedade é um altruísmo que envolve uma reversão e um retorno disfarçado de egoísmo, ou seja, não é um sentimento genuíno e desinteressado de auxílio e cooperação, mas “amor por si” disfarçado de ajuda e dedicação ao próximo; a ponto de Marcel Mauss considerar a solidariedade como um postulado ou efeito natural da lei universal de “dar, receber e retribuir”. Na mesma toada, então, aplicaríamos aos próprios seres humanos o pensamento de Winston Churchil que dizia que “as nações não tem amigos nem aliados, mas apenas interesses”...
Lacan, além de ter partilhado da visão egoísta e narcisista da solidariedade, dizia que ela se constitui em fonte de gozo pessoal e que este gozo pode ser encarado como mal porque comporta o mal do próximo pelo incentivo à exploração da sua passividade, por isso, uma “solidariedade do gozo” deve ser considerada nociva porque é uma solidariedade pelo mal, derivada da natureza sádica como disposição à destruição da própria espécie humana.
Realmente, muito se tem visto deste tipo de solidariedade utilitarista e autodestrutiva, definida por Adam Smith, Marcel Mauss e Lacan, passada para a sociedade brasileira e mundial pela demagogia e exemplo degradante da esmagadora maioria dos “animais” políticos que nos desgovernam – infelizmente, de todos os partidos e matizes – que tem destacado este conceito de solidariedade, em detrimento do próprio “ato solidário” e suas razões, conforme o que se depreende na definição de Sigmund Freud.
O “ato solidário” vem bem antes da solidariedade. Ele deriva de reconhecer no outro um que é igual a mim. Uma vida que é parte da minha vida. Uma vida que juntamente com a minha vida é extensão da Grande Vida universal. Este ato solidário pré-constituído na natureza transcendente do ser humano, quando esta é reconhecida e cultivada pessoalmente, é anterior e indiferente a qualquer sistema de interesses, por isso, cria uma infinidade de possibilidades de aprimoramento espiritual. Aqui, fala-se de cultivo da espiritualidade e não de religião.      
A propósito, o Dr. Masaharu Taniguchi, em “Sabedoria da Vida Cotidiana em 365 Preceitos”, na página 124, afirma categoricamente: “Muitas vezes a causa oculta dos conflitos e da desarmonia é a raiva que a pessoa tem de si próprio. Quem sente raiva de si mesmo transfere-a para os outros e sente vontade de criticá-los” e, acrescentamos, puni-los por vezes até matar, por incrível que seja aos mais sensatos. Em conclusão, o desprezo pela vida do outro é o desprezo pela sua própria vida, encarada sem sentido por falta do cultivo de uma visão espiritual e transcendente da existência terrena como ser humano. Aqui está a explicação e a chave do nosso problema de violência contra o próximo.

Então, onde está a solução? Ela reside na própria essência do problema! Só removendo as causas do problema é que ele pode ser completamente resolvido e erradicado...

O “Movimento de Iluminação da Humanidade” cujo ideário é o sustentáculo do “Movimento Internacional de Paz pela Fé” indica a verdadeira diretriz para a implantação do “ato solidário” no Inconsciente Coletivo da nossa sociedade, conforme o seguinte texto:
Geralmente, nós seres humanos, compreendemos que a satisfação dos desejos egoísticos não passa de uma ilusão; mas somente depois de sentir na carne e repetidas vezes, que os atos egoísticos nos fazem sofrer, em vez de proporcionar prazer, é que tomamos a decisão de não nos deixarmos mais enganar por esses prazeres. Porém, quando ocorre em nossa alma o despertar para a Grande Vida – que liga toda a humanidade – e passamos a manifestar com naturalidade o amor (que vem da consciência de que nós e os outros somos um), poderemos praticar, de forma muito mais natural, atos que satisfaçam tanto a nós como aos outros, ou seja, atos que revelem a alegria de termos a nossa vida ligada à dos outros, transcendendo a barreira do corpo carnal. (Dr. Masaharu Taniguchi, em “A Verdade da Vida, v.7, p. 193).   
O incentivo contínuo ao aprimoramento espiritual de cada indivíduo, começando por uma campanha governamental pela ética e pelo civismo, de modo planejado e massivo nas escolas e nos órgãos da imprensa, seria um bom começo que produziria ótimos frutos em duas ou três gerações futuras, sem esquecer que a melhor liderança vem do exemplo, o que está muito em falta nas classes dirigentes do nosso país, enganosamente rotulado como afável e de brandos costumes!           
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.