QUEM É O HOMEM?

Conhecei bem a Imagem Verdadeira do homem: o homem é Espírito, é Vida, é Imortalidade.
Deus é a Fonte Luminosa do homem e o homem é luz emanada de Deus. Não existe fonte luminosa sem luz, nem existe luz sem fonte luminosa. Assim como luz e fonte luminosa são um só corpo, Deus e homem são um só corpo.
Porque Deus é Espírito, o homem também é Espírito. Porque Deus é Amor, o homem também é Amor. Porque Deus é Sabedoria, o homem também é Sabedoria.
O Espírito não é peculiar à matéria, o Amor não é peculiar à matéria, a Sabedoria não é peculiar à matéria.
Portanto, o homem, que é Espírito, que é Amor, que é Sabedoria, nada tem a ver com a matéria.

(Trecho da "Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade", revelada ao Prof. Masaharu Taniguchi).

quarta-feira, novembro 26, 2014

AS VIRTUDES MORAIS

O grande filósofo Aristóteles classificava as virtudes humanas em intelectuais e morais. As virtudes intelectuais são as que nascem com o indivíduo, como a inteligência e outras, que podem evoluir com o tempo e permitem a sabedoria ou desenvolvimento do saber. Já, as virtudes morais seriam resultado do aprendizado que levaria a hábitos cultivados que se traduzem de modo prático em ações benéficas ou proveitosas para o crescimento do próprio indivíduo e da sua inserção social harmoniosa com os seus semelhantes, levando assim também ao benefício da vida em comunidade ou sociedade. Assim, Aristóteles ensinava que as virtudes morais, por condicionarem o comportamento do indivíduo, não nascem conosco, pois “nada que nasça conosco pode ser contrário à nossa natureza” e os padrões de conduta adequados devem ser ensinados e praticados até serem incorporados, visando submeter os interesses pessoais ao interesse maior – a polis
No cultivo dos hábitos que se traduzem em virtudes morais é concedido ao homem o direito natural do livre arbítrio, mas isso implica que entre o momento que identifica a necessidade de agir e a consumação da ação, existe um intervalo de tempo em que a pessoa exerce o cuidado na escolha de como agir, com base em valores adotados e na avaliação das consequências. Este cuidado dedicado à escolha de como agir no interesse do crescimento individual e da sua interação harmoniosa na sociedade pode ser considerado como a primeira grande virtude moral ou mãe das outras virtudes: a prudência. Epicuro dizia que “da prudência nascem todas outras virtudes”. Platão ainda considerou a prudência como uma das quatro virtudes cardiais, ao lado da coragem, temperança e justiça.
As Diversas Virtudes Morais
A prudência determina o que é necessário escolher e o que se deve evitar. Atualmente, o que é necessário evitar geralmente é mais enfatizado no cultivo da prudência, por isso, ela é normalmente designada como precaução. Contudo, na vida de hoje, há riscos  a correr e perigos a enfrentar, por isso, a prudência também pode ser designada como a “virtude do risco e da decisão” como era definida no sentido filosófico original. Para os filósofos modernos, como Kant e Max-Weber, a prudência pertence menos à moral do que à psicologia, menos ao dever do que ao cálculo, porque na sua ótica a prudência é vantajosa demais para ser moral.  Assim, questionavam: é prudente cuidar da saúde, mas quem veria nisso um mérito? 
Além da prudência, podem ser apontadas como principais virtudes morais – a serem tratadas abaixo – as seguintes: polidez, fidelidade, temperança, coragem, justiça, generosidade, compaixão, misericórdia, gratidão, humildade, simplicidade, tolerância, pureza, doçura, boa-fé, humor e amor.
É imitando a virtude que nos tornamos virtuosos: “Pelo fato de os homens representarem esses papéis”, escreve Kant, “as virtudes, das quais por muito tempo eles só tomam a aparência concertada, despertam pouco a pouco e incorporam-se a seus modos.” A polidez é anterior à moral, e pode viabilizar a edificação desta, sendo condição necessária mas não suficiente para uma boa conduta moral. A polidez é a aparência de virtude, de que as virtudes provêm. Todavia, ser polido não é necessariamente ser moralmente correto, pois há canalhas que são cinicamente polidos, portanto, a polidez é uma virtude puramente formal, virtude de etiqueta, virtude de aparato, que pode estar acompanhada de cinismo! A polidez é assim a aparência de uma virtude, e somente a aparência, que pode ser o embrião da educação de outras virtudes.
A fidelidade não é um valor entre outros, uma virtude entre outras: ela é aquilo por que e para que há valores e virtudes. Que seria a justiça sem a fidelidade dos justos? A paz, sem a fidelidade dos pacíficos? A liberdade, sem a fidelidade dos espíritos livres? E que valeria a própria verdade sem a fidelidade dos verídicos? Esta não seria menos verdadeira, sem dúvida, mas seria uma verdade sem valor, da qual nenhuma virtude poderia nascer. Quiçá, não há sanidade sem esquecimento, mas também não há virtude sem fidelidade. Porém, a fidelidade não desculpa tudo: ser fiel ao pior é pior do que renegá-lo. Os fanáticos religiosos que cometem atos terroristas juram fidelidade a Deus, contudo essa fidelidade no crime é criminosa, portanto, reprovável. Fidelidade ao mal e contra a vida e felicidade dos outros é má fidelidade. Muitos genocídios ficaram registrados na História da Humanidade porque os assassinos assumiram a desculpa da fidelidade a ordens recebidas de governantes inescrupulosos, que diziam defender um ideal nacional.  Como foi destacado por Jankélévitch: “a fidelidade na tolice é uma tolice mais”.
Quando se cultiva a temperança não se trata de não desfrutar, nem de desfrutar o menos possível. Isso não seria virtude mas tristeza, não temperança mas ascetismo, não moderação mas impotência. Temperança é o contrário do fastio, ou o que leva a ele; não se trata de desfrutar menos, mas de desfrutar melhor. A temperança, que é a moderação nos desejos sensuais, é também a garantia de um desfrutar mais puro ou mais pleno. É um gosto esclarecido, dominado e cultivado. A temperança é a arte de desfrutar de modo salutar; é um trabalho do desejo sobre si mesmo, do vivo sobre si mesmo. Ela não visa superar nossos limites, mas respeitá-los.
De todas as virtudes, a coragem é sem dúvida a mais admirada universalmente. A coragem é a virtude dos heróis; e quem não admira os heróis? O seu prestígio parece não depender nem das sociedades, nem das épocas e, quase nada, dos indivíduos. Desde crianças, quase que naturalmente aprendemos a gostar de histórias de super-heróis. A covardia é sempre desprezada; em toda parte a bravura é estimada. As formas podem variar, claro, assim como os conteúdos: cada civilização tem seus medos e as suas coragens. Mas o que não varia, ou quase não varia, é que a coragem, como capacidade de superar o medo, vale mais que a covardia que se entrega ingloriamente ao medo. Todavia, a coragem pode servir para tudo, para o bem como para o mal, e não alteraria a natureza deste ou daquele. Maldade corajosa é maldade. Fanatismo corajoso é fanatismo. Essa coragem – a coragem para o mal, no mal – também é uma virtude moral? Não, absolutamente!
Das quatro virtudes cardiais, a justiça é sem dúvida a única que é absolutamente boa, por si própria. A prudência, a temperança ou a coragem só são virtudes a serviço do bem, ou em relação a valores que as superam ou as motivam. A serviço do mal ou da injustiça, prudência, temperança e coragem não seriam virtudes, mas simples talentos ou qualidades negativas do espírito ou do temperamento, como disse Kant. O justo, inversamente, será aquele que não viola nem a lei nem os interesses legítimos de outrem, nem o direito (em geral) nem os direitos (dos particulares), em suma, aquele que só fica com a sua parte dos bens, explica Aristóteles, e com toda a sua parte dos males. A justiça situa-se inteira nesse duplo respeito à legalidade, na cidade, e à igualdade entre indivíduos: “o justo é o que é conforme a lei e o que respeita a igualdade, e o injusto o que é contrário à lei e o que falta com a igualdade.”
A generosidade é a virtude de doar. Pela justiça se trata somente de “atribuir a cada um o que é seu”, mas quem é generoso oferece a outrem o que não é deste, o que é de quem oferece e que pode fazer falta ao doador. Assim, a generosidade é a virtude do dom. Dom de dinheiro (pelo qual tem a ver com a liberalidade), dom de si (pelo qual tem a ver com a magnanimidade, ou mesmo com o sacrifício). Mas só podemos dar o que possuímos e somente com a condição de não sermos possuídos, incluindo o desejo ou nostalgia do que doamos. Portanto, a generosidade é indissociável de uma forma de liberdade ou de domínio de si mesmo, o que é o essencial do seu conteúdo. Jesus Cristo chamou a atenção dos seus ouvintes para a generosidade da viúva pobre que doava uma única moeda que lhe faria falta, enquanto o fariseu hipócrita doava um monte de moedas que sobravam e apenas faziam peso no bolso. A viúva podia ser considerada generosa, enquanto o fariseu era mesquinho. 
A compaixão é considerada uma virtude moral, mas ninguém gosta de ser objeto dela e muitos não gostam de senti-la. Compadecer-se é sofrer com e por outrem, e todo sofrimento é ruim. Então, como a compaixão poderia ser encarada como algo bom? Se analisarmos as qualidades contrárias da compaixão que são dureza, crueldade, frieza, indiferença, secura de coração, insensibilidade, então, a compaixão se torna atraente, no mínimo, por diferença. O sinônimo de compaixão é simpatia, o que leva à empatia. Quem não se sente bem ao ser simpático? Quem não gosta de ser alvo de um ato de simpatia? Quem não gosta de sentir a empatia de alguém em horas de tristeza?
A misericórdia é a virtude do perdão. O que é, de fato, perdoar? Apagar a falta, considerá-la nula e não acontecida, é um poder que não temos. O passado é irrevogável e ninguém pode fazer com que o que foi feito não o tenha sido. Quanto a esquecer a falta, seria também uma tolice por ignorar a prudência, além de que isso seria faltar com a fidelidade às vitimas, nos casos de grandes crimes como as matanças nos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial.  Seria inteligente manter a confiança num amigo que nos traiu? Seria imoral trocar o comerciante que nos roubou? Esquecer essas situações em que fomos prejudicados dolosamente seria ostentar uma virtude bem cega ou bem tola. Por conseguinte, perdoar não é apagar a falta, nem esquecer. Então, é o quê? É cessar de odiar, de ressentir-se de sentir mágoa, porque a misericórdia é a virtude que triunfa sobre o ressentimento, sobre o ódio justificado (a misericórdia vai além da justiça), o rancor, o desejo de vingança ou de punição. Praticar a misericórdia ou perdoar é cessar de ter uma aversão ressentida contra quem nos ofendeu ou prejudicou.
A gratidão ou reconhecimento é uma das virtudes morais mais agradáveis; apesar disso, não é fácil ser grato e reconhecido. Por que é difícil praticar a gratidão? A dificuldade está no egoísmo. O egoísta gosta muito de receber e guardar o que recebe só para si, para suscitar inveja nos outros, como se obtivesse tudo só pelo seu merecimento, por isso, não gosta de reconhecer o que deve aos outros, e a gratidão é esse reconhecimento. O egoísta é incapaz de agradecer, pois só conhece o seu próprio mérito e a sua própria satisfação. Assim, a ingratidão é a incapacidade de retribuir – sob a forma de alegria, sob a forma de amor. Todavia, há quem agradeça por egoísmo, para conseguir mais; agradecer para se ter mais não é gratidão, é lisonja, obsequiosidade, mentira. Não é virtude, é vício. O reconhecimento sincero não pode dispensar nenhuma outra virtude, sobretudo a autenticidade ou pureza.
A humildade é a virtude que torna as outras virtudes discretas, como que despercebidas de si mesmas, quase negadas. A humildade não é a depreciação de si, ou uma depreciação disfarçada em falsa apreciação. Não é ignorância do que somos, mas, ao contrário, conhecimento, ou reconhecimento, de tudo o que não somos, é reconhecer os limites individuais. O contrário da humildade é a soberba, que visa rebaixar e desmerecer os outros.
A simplicidade é considerada a mais leve das virtudes, a mais transparente e a mais rara. A simplicidade é essencialmente a vida sem mentiras e sem exageros. É a verdadeira vida. Ela é o contrário da duplicidade, da complexidade, da pretensão. Simplicidade não pode ser confundida com inconsciência e tolice; ser de espírito simples não é ser um simples de espírito! A simplicidade evita que a inteligência e a competência se envaideçam, se percam em si, sejam dissimuladas e se considerem demasiado importantes. A simplicidade é desprendimento de tudo e de si mesmo; é liberdade, leveza e transparência.
A tolerância, do latim tolerare (sustentar, suportar), é a virtude moral que define a nossa capacidade de aceitação de algo contrário a uma regra ou conceito moral, cultural, civil ou físico. O problema da tolerância só surge nas questões de opinião. Por exemplo, a verdade da Bíblia não é nem demonstrável nem refutável; portanto, ou se crê nela, ou se tolera que se creia nela. É aí que voltamos a enfrentar um problema. Se devemos tolerar a Bíblia, por que não Mein Kampf de Hitler? E, se toleramos Mein Kampf, por que não o racismo, a tortura, os campos de concentração? Portanto, uma tolerância universal seria moralmente condenável porque poderia, em algumas situações, colocar em risco a harmonia das relações sociais. Além disso, toleramos os caprichos de uma criança ou as posições de um adversário, mas isso só é virtuoso se superarmos para tanto a nossa própria impaciência. A tolerância só vale contra si mesmo, e a favor da outra pessoa. Não há tolerância quando não se tem nada a perder, menos ainda quando se tem tudo a ganhar em suportar, isto é, em nada fazer. Tolerância não é passividade egoísta.
Pureza, na origem etimológica do termo, tem um sentido material: puro é o que é limpo, sem mancha, sem mácula; a água pura é uma água sem misturas. O conceito moral de pureza já foi objeto de muitas definições, que variam desde o viés filosófico ao religioso. Todas as religiões consideram que é puro o que as suas leis impõem ou autorizam e que é impuro o que elas proíbem. Para a filosofia, a pureza não é um atributo, que se possa possuir ou não. A pureza não é absoluta, mas, sim, uma certa maneira de não ver o mal onde, de fato, ele não se encontra. O impuro vê o mal em toda parte, e tem prazer nele. O puro não vê o mal em parte alguma ou, antes, apenas onde ele se encontra, onde o sofre: no egoísmo, na crueza, na maldade... É impuro tudo o que se faz de má vontade, ou com vontade má. É por isso que somos impuros, quase sempre, e é por isso que a pureza é uma virtude: o eu só é puro quando está purificado de si, ou seja, do egoísmo. Assim, “amar puramente é aceitar a distância”, em outras palavras, a não-posse, a ausência de poder e de controle, a aceitação alegre e desinteressada. Pavese dizia para si mesmo: “você será amado no dia em que puder mostrar sua fraqueza sem que o outro se sirva dela para afirmar sua força.” O amor do amante que toma para si, que aprisiona a pessoa amada, que é apego, esse é impuro. O amor que dá ou que contempla é verdadeiramente pureza.
A doçura é tomada como uma virtude feminina, por excelência, por isso, talvez, ela agrada tanto aos homens. Mas o que ela tem de feminino é uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera. A doçura é antes de tudo uma paz, real ou desejada: é o contrário da guerra, da crueldade, da brutalidade, da agressividade, da violência... É a verdadeira paz, que é paz interior, muitas vezes, permeada de angústia e de sofrimento ou, às vezes, iluminada de alegria e de gratidão, mas sempre desprovida de ódio, de dureza, de insensibilidade... A doçura distingue entre “aguerrir-se e endurecer-se”. É o amor em estado de paz, mesmo na guerra, tanto mais forte quanto é aguerrido, e tanto mais doce. A agressividade é uma fraqueza, a cólera é uma fraqueza, a própria violência, quando já não é dominada, é uma fraqueza. Só a doçura e que pode dominar a violência, a cólera, a agressividade. Em conclusão, a doçura é uma força, por isso é uma virtude: é força em estado de paz, força tranquila e doce, cheia de paciência e de mansuetude.
O que é a boa-fé? É um fato, que é psicológico, e uma virtude, que é moral. Como fato, é a conformidade dos atos e das palavras com a vida interior, ou desta consigo mesma. Como virtude, é o amor ou o respeito à verdade, e a única fé que vale. Ela exige, entre os homens como dentro de cada um deles, o máximo de verdade possível, de autenticidade possível, e o mínimo, em consequência, de artifícios ou dissimulações. Não há sinceridade absoluta, mas tampouco há amor ou justiça absolutos: isso não nos impede de tender a elas, de nos esforçar para alcançá-las, de às vezes nos aproximarmos delas um pouco... A boa-fé é esse esforço, e esse esforço já é uma virtude.
Humor é a virtude de rir, até das dificuldades. Cumpre distinguir aqui o humor da ironia. A ironia não é uma virtude, é uma arma – voltada quase sempre contra outra pessoa. É o riso mau, sarcástico, destruidor, o riso da zombaria, o riso que fere, o riso do ódio, o riso do combate… É falta de polidez dar-se ares de importância. É ridículo levar-se excessivamente a sério. Não ter humor é não ter humildade, é não ter lucidez, é não ter leveza, é ser demasiado cheio de si, é ser demasiado severo ou demasiado agressivo, é quase sempre carecer, com isso, de generosidade, de doçura, de misericórdia... O humor transforma a tristeza em alegria (logo o ódio em amor ou em misericórdia), a desilusão em comicidade, o desespero em alegria... Ele desarma a seriedade, mas também, por isso mesmo, o ódio, a cólera, o ressentimento, o fanatismo, o espírito sistemático, a mortificação, até mesmo a ironia. É necessário rir de si primeiro, mas sem ódio. Depois, rir de tudo, mas apenas enquanto se faz parte desse tudo por vontade própria.
Não amamos o que queremos, mas o que desejamos, e que não escolhemos, porque o sexo e o cérebro não são músculos, nem podem ser. O amor não se comanda e não poderia, em consequência, ser um dever. Virtude e dever são duas coisas diferentes – o dever é uma coerção, a virtude, uma liberdade –, ambas necessárias, claro, solidárias uma da outra, evidentemente, mas antes complementares. O que fazemos por amor não fazemos por coerção, nem, portanto, por dever. Quando o amor existe, quando o desejo existe, para que o dever? Toda a nossa vida, privada ou pública, familiar ou profissional, só vale proporcionalmente ao amor que nela pomos ou encontramos. O amor não é um mandamento: é um ideal (“o ideal da santidade” diz Kant). É o ideal que nos guia e nos ilumina. O que é o amor? Eis a grande questão. É o Erôs do desejo de reunir-se e fundir-se com o objeto amado, e ser apenas um em vez de dois. É o Philia que desabrocha entre humanos e quaisquer que sejam suas formas, contanto que não se reduza à falta ou à paixão (erôs), é o amor-alegria, que inclui reciprocidade: é a alegria de amar e ser amado, é a benevolência mútua ou capaz de se tornar mútua, é a vida partilhada, a escolha assumida, o prazer e a confiança recíprocos, em suma é o amor-ação, que se opõe por isso a erôs (o amor-paixão), mesmo que nada proíba que os dois possam convergir ou coexistir. É, finalmente, o Agapé que nos leva a desejar e fazer o bem ou amar os indiferentes e até os inimigos, conforme aconselhou Jesus Cristo.
Conclusão
Educar-se nas dezoito virtudes morais é um imperativo de crescimento para todo o ser humano, uma vez que todos temos um potencial de crescimento praticamente infinito, pois somos seres essencialmente perfectíveis. Também, esse crescimento feito com responsabilidade e autenticidade rende ao indivíduo benefícios de crescimento físico e psicoemocional, que podem ser até traduzidos em benefícios materiais.
Um grande abraço do Kabiá-Kabiaka.